"Os destinos turísticos que têm aeroportos não se podem dar ao luxo de não os utilizar”. A premissa é defendida por José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERT Alentejo e Ribatejo), que considera que o aeroporto de Beja está “subaproveitado”.Para o responsável, a infraestrutura tem potencial para assumir “um papel crucial no desenvolvimento turístico na região” e, neste sentido, o organismo público está a preparar um plano para apresentar ao Governo com o objetivo de captar a aviação comercial. “O Alentejo tem condições para, no curto prazo, dentro de dois ou três anos, colocar no terreno, em interlocução com o Governo, com o Turismo de Portugal e com a ANA Aeroportos, um programa de atração de rotas e de companhias aéreas com voos comerciais para o aeroporto de Beja, criando uma plataforma que possa acelerar o crescimento do turismo”, explica o responsável ao DN.A ERT Alentejo e Ribatejo apresentou já um estudo preliminar ao Executivo, a várias transportadoras aéreas, incluindo a TAP, e à gestora dos aeroportos nacionais e afiança que a ANA “tem demonstrado muito interesse e disponibilidade”. “Há cerca de um ano e meio realizámos uma reunião com estes players onde apresentámos um estudo elaborado por uma consultora para colocar este plano em ação. Na altura, concluímos que ainda não estavam reunidas as condições, mas acreditamos, agora, que dentro dos próximos dois anos será possível avançar e, portanto, iremos fazer um update desse relatório”, detalha.O desenvolvimento da capacidade hoteleira da região foi o pressuposto base acordado para definir o timing do processo. “A região precisa de atingir um determinado número de camas turísticas. Atualmente contamos com 30 mil e, considerando os projetos em desenvolvimento, esperamos dentro deste período somar mais cinco mil. Neste momento o pipeline é até muito superior do ponto de vista dos projetos que estão licenciados, mas claro que uma coisa é a previsão e outra é a realidade. Tenho acompanhado os desenvolvimentos e é seguro confiar que, pelo menos, estas cinco mil camas estarão prontas”, atesta. A Comporta é uma das principais apostas para qualificar a oferta na hotelaria. Nos próximos meses irão abrir quatro novas unidades no eixo entre Tróia e Melides, e o investimento na região continua a crescer a bom ritmo. “Irá nascer na Comporta um dos melhores destinos turísticos da Europa, não tenho dúvidas. É importante frisar que se o aeroporto de Beja não existisse, muitas das operações ligadas ao turismo residencial não estariam a funcionar e alguns dos projetos provavelmente não se estariam a implantar na zona da Comporta,”, aponta.O presidente da ERT Alentejo e Ribatejo não deslinda os detalhes do estudo, nem revela quais serão os mercados-alvo da estratégia de captação de rotas, mas assegura que o crescente reconhecimento internacional da região, aliado ao incremento da oferta qualificada de alojamento, serão fatores de atração decisivos para os operadores aéreos.“O aeroporto de Beja terá uma grande importância no futuro do turismo do Alentejo. Atualmente, já é bastante relevante para algumas operações hoteleiras do litoral e também no interior e tem uma excelente performance na aviação executiva. Já estamos a tirar partido dele e iremos utilizá-lo gradualmente, e cada vez mais, à medida que a indústria se desenvolver, o que já está a acontecer”, relata.As “nuvens no horizonte”, diz, respeitam ao capítulo das acessibilidades. “Para que o aeroporto possa ser mais competitivo, as ligações ferroviárias e rodoviárias são decisivas. O turismo não é uma brincadeira e tudo isto está estudado há muito tempo. Os destinos turísticos, para serem competitivos, precisam de ter infraestruturas de grande qualidade”, alerta. José Santos aplaude o concurso público lançado em março pela Infraestruturas de Portugal (IP) para a conclusão da A26 entre Santa Margarida do Sado e Beja, mas relembra que a concretização dos trabalhos se poderá arrastar no tempo. “Estou muito satisfeito com os recentes anúncios de investimento do Governo, mas sabemos que as obras demoram tempo. As acessibilidades são decisivas para programar a operação no aeroporto de Beja”, vinca..Câmara de Beja pede resposta ao Governo nas acessibilidades .Do lado da autarquia, o presidente da Câmara Municipal de Beja deixa elogios à iniciativa da ERT Alentejo e Ribatejo, que diz ainda não conhecer em detalhe, comprometendo-se a “acolher o projeto de forma muito positiva”. Ainda assim, Nuno Palma Ferro mostra-se cético de que a infraestrutura aeroportuária do Baixo Alentejo possa “cumprir o seu desígnio” sem uma ligação rodoviária. “Iremos apoiar todos os projetos que visem a intensificação do aeroporto de Beja e acredito que a infraestrutura poderá ser um polo bastante atrativo da aviação comercial. Contudo, as acessibilidades afiguram-se como a grande preocupação. É preciso que haja condições e que o Governo dê uma resposta ao fim de tantos anos”, pede. Para o autarca, a ausência de uma autoestrada é uma “limitação profunda” à operação da infraestrutura aeroportuária. “Isto não existe em lado nenhum do mundo. Sem a A26 não conseguimos competir com nada, tudo isto é uma miragem. Podemos discutir todos os assuntos e projetos, mas esta obra é essencial”, declara ao DN. O líder do executivo camarário de Beja, eleito pela coligação Beja Consegue (PSD/CDS-PP/IL), garante que se o A26 não se concretizar “será uma frustração tremenda”. “A vontade política está no terreno e o Governo já anunciou que é uma das três prioridades em termos de rodovias para o país. Acredito que desta vez vai mesmo acontecer. Se isso eventualmente não acontecer, será, para mim, uma frustração tremenda”, nota Nuno Palma Ferro..Ryanair insiste na suspensão do novo sistema de controlo de fronteiras até setembro e até goza com as filas no aeroporto