José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente
José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do AmbienteDR

Tecnologia chinesa pode ajudar Portugal em compromissos climáticos

O compromisso da China com a sustentabilidade energética é encarada como um exemplo para Portugal em áreas específicas, segundo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA)
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O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) indicou esta quinta-feira, 26, que o compromisso da China com a sustentabilidade energética é visto como um exemplo para Portugal em áreas específicas.

Em declarações à Lusa, em Macau, José Pimenta Machado, sublinhou a necessidade urgente de adaptação e de olhar para a tecnologia chinesa como aliada, depois de os primeiros meses de 2026 terem sido marcados por fenómenos meteorológicos "ímpares" que colocaram todo o território nacional em estado de prontidão.

Janeiro e fevereiro de 2026 bateram o recorde de chuva dos últimos 47 anos na Península Ibérica, segundo a Agência Estatal de Meteorologia espanhola.

"Eu acho que nunca vi e nunca conheci uma situação como aconteceu este ano, em que todo o país estava em alerta de cheias", afirmou Pimenta Machado, destacando que, ao contrário de anos anteriores, os eventos deixaram de ser localizados para afetarem Portugal "desde o norte a sul, até ao leste".

Também a ministra do Ambiente alertou na quarta-feira que a adaptação às alterações climáticas é “a maior questão” do país e que as crises resultantes da mudança do clima mostram a importância dos sistemas de alerta.

Reiterando a posição da ministra, deu como exemplos de medidas a tomar: “Não autorizar novas construções em áreas de risco", lembrando que mais de 100 mil pessoas em Portugal vivem atualmente em zonas com risco de cheias, ocupando "um espaço que é do rio".

Além da gestão fluvial, a faixa costeira — que se estende por cerca de 1000 quilómetros entre Caminha e Vila Real de Santo António — surge como uma das maiores preocupações, com 20% da sua extensão fustigada pela erosão.

"Adaptar não é opção, é mesmo uma obrigação", reforçou Pimenta Machado, apontando a monitorização e os sistemas de alerta precoce como fundamentais para "minimizar o impacto" e proteger as populações.

Presente em Macau para participar na Fórum e Exposição Internacional de Coopeação Ambiental de Macau 2026 (MIECF na sigla inglesa), o presidente da APA identificou na China um parceiro estratégico na descarbonização.

Apesar de ser o segundo maior emissor global de gases que contribuem para o efeito estufa, o compromisso chinês com a sustentabilidade é visto pelo dirigente como um exemplo em áreas específicas.

"Há um caminho muito claro de aposta na área das energias renováveis, China, nas energias eólica, no solar, e no da redução dos gases com efeito estufa", observou Machado, destacando também a indústria de veículos elétricos, que apresenta "preços muito competitivos do ponto de vista da tecnologia" e que poderá ser crucial para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em solo português.

A fabricante chinesa de veículos movidos a novas energias BYD, por exemplo, matriculou 6.059 automóveis ligeiros de passageiros em 2025, um aumento de 94,1% face a 2024, o primeiro ano completo da marca em Portugal, encerrando o ano com uma quota de mercado de 2,7%.

As autoridades chinesas têm alertado que o país é extremamente vulnerável ao impacto das alterações climáticas, registando níveis recorde de aquecimento e subida do mar, com temperaturas médias anuais e o nível costeiro a atingirem máximos em 2024.

A China mantém como metas a atingir o pico das emissões de dióxido de carbono antes de 2030 e a neutralidade carbónica antes de 2060.

O novo plano quinquenal (2026-2030), aprovado este mês, aposta em “impulsionar o desenvolvimento verde e de baixo carbono” e em “promover a transição energética”.

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