A TAP poderá mesmo avançar para o self-handling caso o consórcio espanhol Clece/South se mantenha como vencedor do concurso internacional para a atribuição de licenças de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Foi pelo menos esta a garantia que a empresa liderada por Luís Rodrigues transmitiu aos trabalhadores da Menzies/SPdH, a atual responsável pela operação de assistência em escala e que ficou posicionada em segundo lugar no procedimento promovido pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC). “A TAP garantiu-nos, claramente, que não irá trabalhar com a South e, portanto, o cenário em da mesa é o de avançar com o seu próprio handling”, diz ao DN Fernando Henriques, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava). Recorde-se que o agrupamento que pertence à companhia aérea Ibéria, e que inclui a operadora de handling South Europe Ground Services, ficou em primeiro lugar no procedimento lançado pelo regulador para a assistência em escala nos aeroportos, tendo a SPdH terminado na segunda posição. A Menzies é o acionista maioritário da SPdH , antiga Groundforce, com uma participação de 51,1%, enquanto que a TAP detém os restantes 49,9% - que terá de alienar à Menzies até ao próximo mês de junho, no âmbito do processo de privatização em curso. A transportadora de bandeira é ainda o principal cliente da Menzies, representando 70% da sua operação no aeroporto da Portela e 40% na Francisco Sá Carneiro. Caso a TAP decida virar costas a um acordo semelhante ao que tem com a Menzies com o consórcio do país vizinho, a operação da South poderá ficar comprometida por falta de trabalhadores. Isto porque a TAP deverá absorver cerca de 2588 profissionais do total dos 3743 trabalhadores, se optar pelo modelo de assistência em escala própria. Também para o representante do sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal (Sttamp), este afigura-se como o cenário mais provável, considerando o atual processo de venda da companhia aérea.“Não acredito que a TAP queira ceder trabalhadores à South. O consórcio pertence ao grupo IAG e colocar-se nesta posição agora irá melindrar todos os concorrentes que estão na corrida à compra da companhia aérea. O mais viável será, sem dúvida, optar pelo próprio handling”, justifica Pedro Magalhães.Na sua proposta, a South compromete-se a trazer para a operação nacional 1600 trabalhadores e está já a realizar uma campanha de recrutamento em Espanha, além de ter ainda publicados anúncios em sites internacionais com a remuneração oferecida em rupias, a moeda indiana, situação que está a deixar os sindicatos em alerta, uma vez que os profissionais de assistência em escala têm de cumprir uma série de requisitos, entre os quais saber falar português. “Não podem ser trabalhadores estrangeiros. Estas pessoas têm de fazer uma série de formações para que a ANAC os credencie e toda essa matéria é dada em português. Não podemos ter profissionais de outras nacionalidades a ocupar estas posições. Não me parece que isto seja exequível, esta é uma questão muito grave que a South terá de resolver”, avisa Pedro Magalhães..Menzies avança para tribunal e Sitava admite impugnar concurso.A britânica Menzies manterá, até 20 de maio, as licenças de assistência em escala nos três principais aeroportos do país. A partir dessa data, a South assumirá a operação. A menos de dois meses da espanhola assumir o leme do handling, multiplicam-se as críticas à forma como o regulador da aviação conduziu o processo.Para o Sitava estão em causa os critérios definidos pela ANAC que isenta a South da transmissão de atividade e de trabalhadores, bem como define a não aplicabilidade do acordo de empresa do prestador anterior. “Tivemos acesso à documentação do processo e constatámos que não estão salvaguardados todos os postos de trabalho, nem os direitos dos trabalhadores. A ANAC comunicou isto a todos os concorrentes e isto é absolutamente ilegal e inaceitável”, acusa Fernando Henriques. O porta-voz afiança que irá tomar medidas caso o regulador da aviação civil não se manifeste contra estas cláusulas. “Iremos impugnar o concurso, no sentido de salvaguardarmos todos os postos de trabalho. A South tem de assegurar as mesmas condições da SPdH”, acrescenta.Já a Menzies/SPDH entregou uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa para contestar o concurso. “Esta ação judicial visa assegurar que o processo cumpre os necessários padrões de rigor técnico, realismo operacional e solidez jurídica antes de ser tomada qualquer decisão final”, anunciou ontem a empresa, em comunicado..Menzies interpõe providência cautelar contra concurso para handling nos aeroportos