A economia russa deverá registar um encaixe suplementar de 200 mil milhões de rublos (aproximadamente 2275 milhões de euros) resultante da atual conjuntura de preços elevados no sector petrolífero. O anúncio foi feito pelo ministro das Finanças, Anton Siluanov que, apesar do otimismo quanto às receitas, sublinhou que as metas para o défice público nos últimos dois meses permanecem inalteradas.Este excedente financeiro surge num momento de particular tensão nos mercados energéticos, tendo o vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak descartado já o cenário de uma “guerra de preços” internacional, mesmo após a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP. Segundo Novak, o défice estrutural de hidrocarbonetos serve de amortecedor a potenciais instabilidades provocadas por alterações na composição da organização de países exportadores.De acordo com dados do Centro de Investigação sobre Energia e Ar Limpo (CREA), a Rússia viu as suas receitas de exportação quase duplicarem durante o mês de Março. Este crescimento de 94% - atingindo uma média diária de 431 milhões de euros - deveu-se sobretudo ao bloqueio do Estreito de Ormuz. A interrupção desta rota estratégica, consequência direta dos conflitos envolvendo os EUA, Israel e o Irão.O impacto financeiro destas oscilações obedece a um desfasamento temporal de cerca de três meses, devido à natureza dos contratos de fornecimento, que são calculados com base em médias de preços passadas.Além do reforço orçamental imediato, este cenário de preços elevados oferece a Moscovo uma maior margem de manobra para gerir as suas reservas financeiras num período de elevada volatilidade geopolítica. A manutenção de um défice estável sugere uma estratégia de contenção que visa capitalizar os lucros extraordinários sem comprometer o equilíbrio das contas públicas a longo prazo. Com Lusa