Rewilding Portugal mantém oposição à central solar Sophia por riscos para biodiversidade
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Rewilding Portugal mantém oposição à central solar Sophia por riscos para biodiversidade

Persistem riscos significativos para a biodiversidade, conectividade ecológica e integridade da paisagem, apesar da redução da dimensão do projeto, diz associação.
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A associação Rewilding Portugal anunciou esta segunda-feira, 19 de outubro, que mantém o parecer desfavorável à reformulação da central solar fotovoltaica Sophia, considerando que persistem riscos significativos para a biodiversidade, conectividade ecológica e integridade da paisagem, apesar da redução da dimensão do projeto.

“A Rewilding Portugal mantém a sua oposição ao projeto da Central Solar Fotovoltaica Sophia e à Linha Elétrica de Muito Alta Tensão associada, mesmo após a profunda reformulação apresentada pelo promotor no âmbito do artigo 16.º do Regime Jurídico de Avaliação de Impacte Ambiental”, destacou. A central solar Sophia abrange os concelhos do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a organização dedicada à recuperação da natureza explicou que esta posição resulta “da persistência de riscos ecológicos significativos num território de elevado valor natural, particularmente importante para a conectividade entre os ecossistemas da Beira Interior e as áreas naturais transfronteiriças de Portugal e Espanha".

Apesar de reconhecer que a nova proposta introduz melhorias relevantes, "ainda está longe de ser ambientalmente aceitável". “Continuamos a defender que a transição energética é urgente e indispensável, mas não pode concretizar-se à custa da biodiversidade, da integridade dos ecossistemas e da capacidade de recuperação da vida selvagem. A emergência climática não pode servir de justificação para aprofundar a outra grande crise ambiental do nosso tempo: a perda acelerada de biodiversidade”.

A reformulação reduz a potência instalada de 867 para 573 megawatts-pico (MWp), a área ocupada por painéis fotovoltaicos de 390 para 250 hectares e a área vedada de cerca de 1.737 para 1.177 hectares.

O projeto passa também a prever uma única linha elétrica de muito alta tensão de 400 quilovolts (kV), com aproximadamente 22 quilómetros, em vez das duas inicialmente previstas, tendo sido eliminados três setores de implantação e aumentadas as distâncias a algumas povoações e áreas ecologicamente sensíveis.

Apesar da retirada dos painéis do corredor ecológico Raia Norte, da redução da ocupação do corredor Raia Sul e o maior afastamento de áreas particularmente sensíveis para espécies ameaçadas representarem “avanços que devem ser valorizados”, a Rewilding Portugal evidenciou que “a dimensão da reformulação não pode ocultar a dimensão do projeto que permanece”.

“Continuamos a falar de uma infraestrutura com 1.177 hectares de área vedada, 250 hectares de painéis fotovoltaicos e uma nova linha elétrica de 400 kV, com aproximadamente 22 quilómetros, implantada numa região cuja importância ecológica ultrapassa largamente os seus limites administrativos”.

Entre as principais preocupações identificadas está a possibilidade de fragmentação dos habitats e de condicionamento dos movimentos de espécies como o lobo-ibérico e o lince-ibérico, cuja dispersão e expansão futura dependem da existência de territórios ecologicamente conectados.

A organização alertou que “a avifauna continua exposta a riscos que não desapareceram”, indicando que a extremidade sul da central continua parcialmente sobreposta a uma área classificada como muito crítica para aves, associada à cegonha-preta. “A manutenção de uma nova linha elétrica de muito alta tensão continuará a representar um risco de colisão para a avifauna”, apontou.

Outra das preocupações centrais da Rewilding Portugal mantém-se relacionada com a transformação dos habitats e a perda de vegetação autóctone, uma vez que, apesar da reformulação do projeto incluir como medida de compensação a plantação estimada de 40.000 árvores, “plantar árvores não é o mesmo que conservar um ecossistema”.

Outro dos aspetos considerados críticos é o impacte cumulativo da central Sophia com outros projetos energéticos existentes ou previstos na região, incluindo as centrais da Fajarda, do Juncal e do Fundão-Penamacor.

De acordo com a organização, a concentração destas infraestruturas deve ser avaliada de forma integrada, alertando ainda que a dimensão do projeto poderá também ter consequências para as comunidades locais e para atividades económicas associadas à valorização do património natural, nomeadamente a agricultura sustentável e o turismo de natureza.

Por entender que permanecem riscos ecológicos significativos e dúvidas sobre a eficácia das medidas de minimização e compensação, a Rewilding Portugal entende que não estão reunidas as condições ambientais necessárias para aprovar o projeto na configuração apresentada.

“Apelamos à Agência Portuguesa do Ambiente, ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e às restantes entidades competentes para que atribuam a devida importância aos riscos ecológicos que permanecem identificados, particularmente à necessidade de garantir a conectividade funcional entre os ecossistemas desta região de fronteira”.

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