O preço de venda de um T2 nos distritos de Lisboa, Faro e Madeira está acima das possibilidades da generalidade das famílias portuguesas. A taxa de esforço exigida a um casal com um rendimento líquido médio na aquisição de um T2 atinge 59% em Lisboa, 68% no Algarve e 70% no arquipélago da Madeira, revelou esta terça-feira, 13 de janeiro, o Doutor Finanças. São valores que tornam inacessível essa compra, na medida em que a prestação do crédito habitação absorveria bem mais de metade do salário do agregado.O Observatório do Imobiliário em Portugal, estudo da responsabilidade da fintech especializada em serviços financeiros, esclarece ainda que a taxa de esforço no distrito do Porto para adquirir um apartamento de dois quartos exige 46% do rendimento disponível de uma família com salários líquidos médios para a região, e 43% em Setúbal e nos Açores. Um contexto que eleva a taxa de esforço a nível nacional para os 53%.O relatório, que se baseou em dados obtidos a 1 de janeiro nas plataformas de venda e arrendamento, mostra que habitações T2 a preços ideais para rendimentos médios estão concentradas nos territórios do interior, longe dos grandes centros empregadores. Portalegre e Bragança são os distritos onde a taxa de esforço para comprar um apartamento T2 é menor, apenas 14%. Na Guarda, é de 16%.O documento, que assinala a entrada da fintech na área dos dados imobiliários, adianta que o preço médio das casas à venda em Portugal estava nos 3670 euros/metro quadrado no início do ano. O distrito de Lisboa distingue-se no panorama nacional por registar o valor por metro quadrado mais elevado do país: 5776 euros. Neste território, Cascais é a cidade mais inacessível para habitar, com o metro quadrado a valer 7637 euros. Na capital, o preço atinge os 7284 euros, seguindo-se Oeiras (5292 euros), Sintra (3888 euros) e Amadora (3484). Abaixo dos dois mil euros por metro quadrado, encontram-se casas em Alenquer, Azambuja e Cadaval.Na análise global ao território português observa-se que é no litoral – onde se concentra a população e o emprego, e também uma maior pressão turística -, que o custo da habitação é mais alto. Os dados do relatório assim o comprovam: em Faro, o metro quadrado tem um preço médio de 4776 euros; na Madeira, 4362 euros; Setúbal, 4076 euros; e no Porto, 3628 euros. Em oposição, o interior do país está a preço de saldo, quando comparado com a situação que vivem os territórios com frente de mar. O valor médio por metro quadrado no distrito da Guarda situa-se nos 743 euros, em Bragança, nos 950 euros e em Castelo Branco, nos 987 euros.De acordo com o relatório, há 87 mil casas à venda no país, das quais 51.452 são apartamentos e 35.670 moradias. O valor deste stock habitacional está estimado em 54 mil milhões de euros.No mercado do arrendamento, o panorama é idêntico. É nos distritos mais urbanos e do litoral que as rendas são mais elevadas. O observatório do Doutor Finanças revela que os distritos mais caros para arrendar são Lisboa, onde o preço do metro quadrado ronda os 20,80 euros (arrendar uma casa de 100 m2 poderá custar mais de dois mil euros por mês), Madeira (16,15 euros), Faro (16 euros), Porto (14 euros) e Setúbal (13,55 euros). Sem surpresas, os territórios do interior do país apresentam preços de arrendamento bastante mais acessíveis: Vila Real, 5,18 euros/m2; Viseu, 5,21 euros/m2; Guarda, 6,11 euros/m2; Bragança, 6,29 euros/m2/m2; e Portalegre, 6,38 euros/m2.O lançamento do Observatório do Imobiliário em Portugal elaborado pela Doutor Finanças foi acompanhado do anúncio da entrada no negócio de dados imobiliários. A empresa tem agora uma área dedicada à análise, interpretação e divulgação de informação sobre o mercado imobiliário português. Segundo afirma, o objetivo é promover uma maior literacia sobre o setor e apoiar as decisões das famílias, investidores, empresas e decisores. .Preço das casas subiu quatro vezes mais do que salários em 10 anos.Proprietários contra proposta da OCDE: “Aumento de impostos não resolve a crise”.OCDE propõe mais impostos sobre casas vazias para resolver crise