Nestes tempos de incerteza, o ouro está a vincar a sua relevância como investimento de refúgio. Os bancos centrais estão a comprar este metal precioso e os portugueses seguem esta tendência. O Crédito Económico Popular (CEP) decidiu inclusive entrar no negócio das barras de ouro e em pouco mais de um mês vendeu 19 unidades na sua rede de agências em território nacional."Num contexto marcado por pressões inflacionistas, volatilidade nos mercados financeiros e incerteza geopolítica, o ouro físico continua a ser percecionado como uma reserva de valor relevante no longo prazo e um complemento aos instrumentos financeiros tradicionais", justifica Isabel Teixeira, diretora geral do CEP em Portugal. Um quadro que levou a rede portuguesa do Grupo Kruso Kapital a lançar-se, no final de fevereiro, na comercialização de barras de ouro de 5 gramas e de 10 gramas, com um preço médio de 740 euros e 1470 euros, respetivamente.Segundo Isabel Teixeira, estas barras são produzidas e certificadas por refinarias e ensaiadores autorizados e registados na Imprensa Nacional-Casa da Moeda, e têm um grau de pureza de 999,9. Na compra, o cliente recebe um certificado que garante a pureza do ouro, peso e autenticidade. Na opinião da gestora, "o ouro físico pode desempenhar um papel estabilizador em períodos de incerteza, funcionando como cobertura contra a inflação e contra riscos cambiais". Sublinha mesmo que a sua relevância enquanto ativo de investimento "resulta do seu valor intrínseco, da oferta limitada e da elevada liquidez a nível global".Uma recente análise da corretora XTB indica que o ano de 2026 trouxe uma "forte turbulência ao mercado do ouro", marcada por fortes subidas devido às compras dos bancos centrais e à incerteza, seguida de quedas acentuadas relacionadas com procura de liquidez. Há vários meses que o Banco Popular da China mantém um ritmo constante de compra de ouro. "As previsões do World Gold Council (WGC) e das instituições financeiras indicam que a procura oficial total em 2026 permanecerá relativamente elevada em comparação com as médias históricas", diz o relatório da XTB.Os últimos inquéritos do WGC dão nota que até 43% dos bancos centrais planeiam aumentar as reservas de ouro e 95% esperam que as reservas de ouro dos bancos centrais continuem a crescer num horizonte de cinco anos. Segundo a XTB, os principais motivos para esta decisão são a diversificação de ativos face ao dólar, a proteção contra a inflação e o risco sistémico e preocupações crescentes com a estabilidade da dívida pública nos países do G10. A corretora defende "que o ouro continua a apresentar fundamentos de longo prazo para a continuação da sua tendência ascendente".Ainda assim, Isabel Teixeira alerta para os riscos de investimento neste ativo. Como aponta, "devem ser considerados fatores como oscilações de preço, condições de liquidez no momento da revenda e a ausência de rendimento periódico, como juros ou dividendos". Na sua opinião, "o ouro deve ser integrado numa carteira diversificada e ajustada ao perfil e objetivos de cada investidor". A rede do CEP optou por comercializar gramagens reduzidas para alargar o acesso a este produto a um universo vasto de clientes, desde investidores experientes, aforradores conservadores, colecionadores e curiosos.Segundo Isabel Teixeira, o ouro acumulou uma valorização superior a 15% no último ano, o que reforça o seu papel como ativo de preservação de valor. O conflito no Médio Oriente contribuiu para reforçar esta tendência, com subidas nas cotações internacionais, aponta. A responsável lembra que o WGC tem sublinhado que períodos de incerteza, como conflitos armados e instabilidade internacional, tendem a impulsionar a procura por este ativo, enquanto instrumento de proteção e diversificação.O CEP, entidade especializada em empréstimos garantidos por penhor de objetos de ouro, prata e joias, registou um valor de 21,4 milhões de euros na sua carteira de empréstimos no final de 2025, o que representa um crescimento de 32% face a 2024. De acordo com Isabel Teixeira, 97% dos empréstimos sobre penhor estão garantidos por ouro, a maior parte de 19,2 quilates. A empresa fechou 2025 com cerca de 16.400 contratos, um aumento de 7,2% face a 2024. .Crédito garantido por penhor cresce à boleia da valorização do ouro .Doações à cultura para obter vistos gold dispararam quase 300% em 2025