Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.
Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.Foto: Reinaldo Rodrigues

Ouro faz aumentar valor do Banco de Portugal. Balanço sobe 10% para 211 mil milhões de euros em 2025

Contas de 2025. "Evolução deve-se, essencialmente, ao efeito da apreciação do preço do ouro (+46%)", apenas "parcialmente compensado" pela redução do valor em obrigações soberanas, por exemplo.
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O tamanho do Banco de Portugal (BdP), medido pelo valor do balanço, aumentou cerca de 20 mil milhões de euros entre 2024 e 2025, para 211 mil milhões de euros, uma valorização "essencialmente" explicada pela apreciação das cotações do outro.

Portugal tem, em termos, proporcionais (face ao tamanho da economia), umas das maiores reservas de ouro do mundo e, em termos absolutos, terá a 15a maior reserva em valor.

Em comunicado, a autoridade monetária governada por Álvaro Santos Pereira, revela esta quinta-feira que, "no final de 2025, o balanço do Banco de Portugal totalizava 211 mil milhões de euros, mais 20 mil milhões do que no final de 2024", o que se traduz num aumento anual de 10,5%.

"Esta evolução deve-se, essencialmente, ao efeito positivo da apreciação do preço do ouro (mais 46%)", que foi parcialmente compensado pela redução do valor em "títulos detidos para fins de política monetária", designadamente, Obrigações do Tesouro da República portuguesa.

Recorde-se que o BdP, assim como os restantes bancos centrais da Zona Euro, e o Banco Central Europeu (BCE) terminaram há alguns anos o programa de expansão monetária (compras de obrigações públicas nos mercados secundários de forma a manter as taxas de juro soberanas mais contidas, programas que foram lançados a partir de 2012 para combater a crise do euro).

O BdP diz ainda que continua a dar prejuízo, o que significa que, tal como no ano passado, não entregará dividendos ao seu "acionista", o Estado português.

"O resultado antes de provisões e impostos (RAPI) de 2025 manteve-se negativo, em -304 milhões de euros, embora substancialmente menos negativo do que em 2024 (-1142 milhões de euros)", indica o BdP.

Recorde-se também que o Banco de Portugal tem uma reserva enorme de provisões que tem usado para equilibrar o seu balanço desde que este entrou em território negativo há dois anos a esta parte.

Segundo o relatório das contas anuais (2025), agora publicado, esse prejuízo de 304 milhões de euros "reflete, em grande medida, o impacto do resultado líquido da repartição do rendimento monetário do Eurossistema (-164 milhões de euros), dos prejuízos não realizados em operações financeiras (-95 milhões de euros) e dos gastos administrativos (222 milhões de euros)".

"Estes resultados foram apenas em parte compensados pela margem de juros positiva (182 milhões de euros), que evoluiu, de acordo com as taxas de juro de referência, de terreno negativo para positivo ao longo do ano."

Prejuízo alivia, uso de provisões continua

Portanto, o Banco dá prejuízo – o referido resultado negativo – mas explica que "as provisões acumuladas ao longo dos anos permitiram absorver este resultado, tal como sucedeu no ano anterior" e equilibrar perfeitamente o balanço no final.

"O Banco voltou a utilizar a provisão para riscos gerais para cobertura integral do RAPI, tendo apurado um resultado antes de impostos (RAI) nulo", indica o BdP.

"O resultado líquido foi negativo em um milhão de euros, em resultado da redução de impostos diferidos ativos e da tributação autónoma".

As despesas de funcionamento do Banco ascenderam a 222 milhões de euros no ano passado, "o que representa um aumento de 4,7%".

"Esta variação reflete, entre outros fatores, a subida dos gastos com pessoal, devida, essencialmente, à atualização salarial".

Já o valor em compras de bens e serviços, os chamados "fornecimentos e serviços de terceiros", desceu "cerca de um milhão de euros em relação a 2024".

Banca portuguesa está OK

Quanto ao sector bancário que opera em Portugal, os sinais são todos de estabilidade e de melhoria, até.

"A situação financeira dos bancos portugueses continuou a evoluir favoravelmente, beneficiando do enquadramento económico e do esforço de ajustamento do setor nos últimos anos", indica o BdP na análise ao ano de 2025.

"Para garantir a solidez das instituições supervisionadas, o Banco de Portugal avaliou a respetiva resiliência financeira, modelo de negócio e governo interno" e "fomentou" junto dos bancos e das instituições presentes no mercado "a preservação de margens adequadas de capital e liquidez, assegurando que são capazes de absorver potenciais choques relacionados com o contexto macroeconómico".

"A implementação dos planos de redução de ativos não produtivos exigidos às instituições continuou a ser monitorizada. Os planos de resolução dos bancos foram revistos e simplificados. Na fiscalização da comercialização de produtos e serviços bancários de retalho, foram priorizados os temas que motivaram mais reclamações dos clientes bancários", acrescenta o regulador.

Economia continua a desendividar-se e está mais preparada para choques

Relativamente à economia portuguesa como um todo, o BdP considera que manteve-se "estável" e saúda o seu desendividamento.

"Com exceção dos particulares [famílias], a economia portuguesa continuou a reduzir o seu nível de endividamento", diz o BdP.

"O rácio da dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 3,8 pontos percentuais (p.p.), para 89,7% no final de 2025, enquanto a posição de investimento internacional aumentou para -50,2% do PIB, ou seja, mais 8,7 p.p, do que no final de 2024".

"A economia portuguesa manteve as condições de estabilidade macroeconómica em 2025, embora persistam desafios estruturais ao seu crescimento potencial", sublinha o Banco, que alerta para os tempos complexos que já se vivem e para a alta incerteza que advém dos choques externos (como é já o caso da energia, petróleo, gás, etc.) e das tensões geopolíticas (várias guerras em curso, tendo deflagrado uma nova, no Médio Oriente, no final de fevereiro, com o ataque dos EUA e de Israel ao Irão).

Segundo o BdP, Portugal parte para este ambiente arriscado melhor do que no passado. "A redução dos níveis de endividamento permite criar margem para acomodar choques adversos e eventuais deteriorações da posição cíclica da economia, o que é particularmente importante no atual contexto de elevada incerteza internacional", aponta o BdP.

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