OE2027. Finanças esperam forte agravamento das taxas de juro Euribor e petróleo acima de 86 dólares
As taxas de juro de mercado que servem para calcular o custo dos empréstimos e a remuneração dos depósitos devem aumentar de forma pronunciada em 2027, indica o cenário macroeconómico em que assenta a nova proposta do Orçamento do Estado para 2027 (OE 2027), a que o DN teve acesso.
Com o Banco Central Europeu (BCE) a subir taxas (começou este ano e pode continuar), a taxa de juro de mercado (a três meses, curto prazo) assumida pela tutela do ministro Joaquim Miranda Sarmento, estava numa média de 2,2% em 2025, este ano, deve aumentar para 2,5%, mas em 2027, o custo base da dívida para famílias e empresas deve sofrer um grande agravamento, atingindo 3,4% (média anual).
Segundo o mesmo cenário, o custo do barril de petróleo (contrato Brent, a referência para a Europa e Portugal), passará de 68,3 dólares em 2025 para cerca de 93 dólares, este ano.
Em 2027, o Ministério das Finanças, que usa os dados disponíveis para os contratos de futuros, antecipa uma moderação do preço da matéria prima, inscrevendo uma hipótese de 86,1 dólares por barril, em média.
Cautela no petróleo, maná de alguns impostos
Aqui, as Finanças parecem ser mais cautelosas do que as outras entidades que fazem previsões para Portugal, adotando um preço do petróleo mais severo para a economia portuguesa, que é amplamente dependente e vulnerável aos preços do crude, que precisa de importar. Por exemplo, esta semana, o Banco de Portugal inscreveu uma projeção de 79 dólares em 2027, no novo boletim económico.
Dito isto, um preço mais elevado para o petróleo (do que diz o BdP, por exemplo) também pode favorece o governo nas contas públicas (contribui para o excedente programado, de 0,1% em 2027), pois inflaciona rubricas importantíssimas da receita, como os impostos ISP e IVA.
Como referido, esta forte subida dos juros reflete a política monetária do BCE, que começou a subir as suas taxas diretoras em junho para tentar domar a inflação elevada da Zona Euro, que em setembro estava em quase 4%, segundo o Eurostat.
O alarme inflacionista, que emana da situação bélica grave no Médio Oriente e do choque petrolífero que começou em março, levou já o BCE a subir duas vezes as taxas de juro, este ano, para 2,25% em junho e 2,5% em setembro.
A maioria dos analistas, mercados e investidores espera uma nova subida para 2,75% até final deste ano, havendo uma forte possibilidade de o aperto nos juros continuar em 2027. Dependendo dos dados e do que acontecer aos preços da energia, de outras matérias primas e dos alimentos.
Este agravamento dos juros penaliza diretamente as empresas que dependem de crédito para investir e operar e as famílias mais endividadas, sobretudo as que têm empréstimos para compra de casa para pagar.
O cenário do governo antecipa ainda uma apreciação ligeira da taxa de câmbio do euro face ao dólar, para 1,17 dólares em 2027, mais um cêntimo do que o estimado para 2026. Não é muito, mas é um sinal menos bom para as exportações portuguesas; algumas podem ficar mais caras, menos competitivas por essa via.
Já a procura externa dirigida à economia portuguesa ganha força. Depois de aumentar 2,7% este ano, deve reforçar com uma expansão prevista de 3,2% no próximo, diz o mesmo documento do OE.
Apesar de se antever um ano de 2027 muito mais severo em termos de restrições ao financiamento bancário, que eventualmente pode contagiar até o custo da dívida pública, o Ministério das Finanças avança, na proposta de OE2027, com um cenário macroeconómico em que a economia resiste e cresce 2,1%, em que o emprego aumenta 1,4%, com o desemprego a cair, e o investimento privado a disparar mais de 10% em termos reais.
A proposta de OE 2027 é entregue esta quinta-feira (8 de outubro) ao Parlamento e, a seguir, apresentada pelo ministro Miranda Sarmento, em conferência de imprensa.

