O Campeonato do Mundo FIFA 2026 poderá gerar em Portugal um impacto económico entre 378 milhões e 945 milhões, dependendo do desempenho da Seleção Nacional, conclui o estudo “Campeonato do Mundo FIFA 2026: análise do impacto económico em Portugal”, elaborado pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM. O cenário mínimo, correspondente à saída na fase de grupos, aponta para 378 milhões de euros. Se a equipa das quinas alcançar os oitavos de final, eleva a estimativa para 561 milhões e uma vitória final poderá conduzir a um efeito de até 945 milhões de euros.Segundo o estudo publicado esta terça-feira, 2 de junho, o crescimento projetado resulta de quatro vetores: aumento do poder de compra, a realização do evento em mercados com elevada capacidade económica (EUA, Canadá e México), o alargamento do Mundial para 48 seleções e 104 jogos, e a consolidação da economia digital. "Portugal não precisa de organizar o Mundial para gerar impacto económico relevante. O valor do futebol deixou de estar concentrado no estádio ou no país anfitrião", afirma Daniel Sá, diretor executivo do IPAM, sublinhando que consumo, atenção e interação digital ampliam o valor do evento.A análise revela uma transformação estrutural, uma vez que embora 77% do impacto venha do consumo tradicional, a componente digital já representa 23% — repartida entre plataformas de streaming e OTT (10%), engagement nas redes sociais (7%) e content economy (6%). No agregado, o consumo doméstico é a maior categoria (26% do total), seguido da restauração (15%) e da publicidade e media (14%). As apostas, merchandising e colecionáveis também contribuem para o "bolo" total, refletindo economias emocionais ativadas pelo Mundial, sublinha o estudo.O relatório destaca ainda o adepto como um novo ativo económico — um adepto casual poderá gerar entre 40 e 70 euros durante a competição, enquanto adeptos intensivos e digitais atingem valores substancialmente superiores pela presença multiplataforma e influência. Em relação às marcas, media e entidades públicas, o IPAM alerta para a necessidade de ativações em tempo real e estratégias integradas entre televisão, streaming e conteúdos digitais. Na antevisão do Mundial 2030 — que terá Portugal entre os anfitriões — o instituto recorda que organizar o evento não garante impacto automático: "o verdadeiro valor dependerá da capacidade de ativação estratégica antes, durante e depois da competição"..FIFA aumenta prémios do Mundial 2026 para valor recorde e Portugal já garantiu cerca de 12 milhões de euros