Christine Lagarde, presidente do BCE. Frankfurt, 19 de março de 2026
Christine Lagarde, presidente do BCE. Frankfurt, 19 de março de 2026Foto: CHRISTOPHER NEUNDORF / EPA

Lagarde. Taxas de juro terão de subir se isto se arrastar, mas apoios dos governos devem ser "temporários"

Nova guerra é "um choque severo", avisa presidente do BCE. "Aumento de preços da energia pode levar a subida mais ampla da inflação via efeitos indiretos e de segunda ordem". Aí, o BCE terá de atuar.
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As novas projeções do Banco Central Europeu (BCE) "incorporam, excecionalmente, informação até 11 de março, uma data posterior ao que é habitual", e bastaram apenas estes 11 a 12 dias da guerra no Golfo Pérsico para ter de refazer as contas para todo o ano de 2026 e subir violentamente a previsão para a inflação anual, de 1,9% (projeções de dezembro) para 2,6% agora, explicou a presidente do BCE, Christine Lagarde, na conferência de imprensa que decorreu em Frankfurt, depois da reunião das taxas de juro.

Estamos perante "um choque severo", concordou Lagarde, e assim, foi avisando que não pode ficar de braços cruzados, que vai ver quanto tempo dura este choque petrolífero e energético e como é que ele se vai "propagar".

Se esta crise que envolve o Irão se arrastar no tempo, a inflação subir e começar a destilar os chamados "efeitos de segunda ordem", colando-se com mais força aos preços, então, o BCE terá de atuar e voltar a subir taxas de juro, claro.

Governo podem apoiar, mas tem de ser temporário

Quanto às respostas imediatas, as dos governos, a presidente do BCE diz que sim, lá terá de ser, mas que as medidas fiscais só podem ser temporárias e retiradas logo que possível. É o caso do apoio fiscal em sede de ISP que existe em Portugal, por exemplo.

Segundo Lagarde, o BCE sublinha que temos neste momento "uma necessidade urgente de reforçar as economias da Zona Euro, mas mantendo, ao mesmo tempo, finanças públicas sólidas".

Por isso, continuou a economista francesa, "quaisquer respostas fiscais ao choque dos preços da energia devem ser temporárias, direcionadas e adaptadas".

Além do mais, "a atual crise energética reforça a necessidade imperativa de reduzir ainda mais a dependência dos combustíveis fósseis", insistiu Lagarde.

Como referido, para já, as taxas de juro da Zona Euro ficam na mesma (a taxa principal, de depósitos em 2%), mas na próxima reunião, a autoridade sediada em Frankfurt, deve, muito provavelmente, aumentar o custo dos empréstimos.

"O aumento dos preços da energia provocado pela guerra elevará a inflação acima dos 2% no curto prazo".

Se isto "persistir", significa que "o aumento dos preços da energia pode levar a um aumento mais amplo da inflação através de efeitos indiretos e de segunda ordem, uma situação que exige uma monitorização rigorosa", constatou Lagarde.

E é aí que o BCE será obrigado a atuar com uma política mais dura e restritiva, com aumentos de taxas de juro e/ou menos concessão de liquidez a custos baixos (via outros instrumentos, como as compras de dívida).

Para mais, "as expectativas de inflação nos mercados financeiros aumentaram significativamente em horizontes de curto prazo", rematou a presidente do BCE.

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