Todos os banqueiros centrais da Zona Euro – comissão executiva do BCE, que é presidida por Christine Lagarde, mais os 21 governadores dos bancos centrais nacionais, onde tem assento o português Álvaro Santos Pereira – vieram defender o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed, o banco central do país) dos ataques feitos pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, a Jerome Powell e à independência do banco central em matéria de decisão sobre taxas de juro.De acordo com um comunicado oficial divulgado pela autoridade sediada em Frankfurt, Lagarde, os restantes cinco membros da comissão executiva do Banco Central Europeu (BCE), os 21 governadores nacionais do euro e outros dez banqueiros centrais e decisores de outras autoridades monetárias de topo do resto do mundo declaram "total solidariedade para com o Sistema da Reserva Federal e com o seu presidente, Jerome H. Powell"."A independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e económica, no interesse dos cidadãos que servimos. Por isso, é crucial preservar esta independência, com pleno respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilidade democrática", avisam os signatários na nota agora divulgada.Além dos altos responsáveis do sistema de bancos centrais da Zona Euro, a carta é assinada pelos governadores das autoridades monetárias de países como Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Suécia, Suíça, Brasil, Coreia, Canadá, Austrália.Curiosamente, um dos maiores bancos centrais do mundo (excluindo, naturalmente, a Fed e o BCE), o Banco do Japão, não se junta, para já, ao grupo de críticos de Trump.A missiva refere ainda que "o presidente Powell serviu com integridade, focado no seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público" e que "para nós, é um colega respeitado e muito estimado por todos os que com ele trabalharam".Christine Lagarde, que lidera a segunda maior autoridade monetária mundial a seguir à Fed, assina a carta à cabeça como "Presidente do Banco Central Europeu, em nome do Conselho de Governadores do BCE".Juntam-se Andrew Bailey, Governador do Banco de Inglaterra (Reino Unido), Erik Thedéen, Governador do Sveriges Riksbank (Suécia), Christian Kettel Thomsen, Presidente do Danmarks Nationalbank (Dinamarca), Martin Schlegel, Presidente do Banco Nacional Suíço, Ida Wolden Bache, Governadora do Norges Bank (Noruega), Michele Bullock, Governadora do Reserve Bank of Australia, Tiff Macklem, Governador do Banco do Canadá, Chang Yong Rhee, Governador do Banco da Coreia, Gabriel Galípolo, Governador do Banco Central do Brasil, François Villeroy de Galhau, Presidente do Banco de Pagamentos Internacionais.Fonte oficial do BCE diz que "outros bancos centrais poderão ser adicionados à lista de signatários posteriormente"."Incompetente", "desonesto", "demasiado atrasado"Segundo o The New York Times (NYT), que avançou com a notícia no domingo ao final do dia (artigo pago para assinantes), o governo dos Estados Unidos da América (EUA), liderado por Trump, fez saber que vai abrir um processo “criminal” contra Jerome Powell, o presidente da Reserva Federal dos EUA (Fed, o banco central do país), por este ter, alegadamente, sido “incompetente” ou "desonesto" e deixado derrapar o custo das obras de renovação da sede da Fed, avaliadas em 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros).Não menos importante, o esboço da ação liderada pela procuradoria pública de Washington D.C. vai ainda investigar se Powell mentiu ou foi desonesto junto do Congresso (o Parlamento dos EUA) sobre os custos das obras, refere o NYT.Jerome Powell foi indicado para presidente da Reserva Federal pelo próprio Trump, em 2017, mas os dois estão totalmente desavindos desde a tomada de posse do Presidente dos EUA, no início de 2025.Trump tem exigido à equipa de Powell uma redução de taxas de juro muito mais acelerada para assim aliviar a carga de juros gerada pela enorme dívida dos Estados Unidos. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o rácio do endividamento federal terá terminado o ano de 2025 perto de 125% do Produto Interno Bruto (PIB) e estará a caminho dos 130% este ano.Entretanto, no meio dos ataques e insultos de que foi alvo, Powell que lidera a Fed já cortou nas taxas, mas para o Presidente americano não chega. Tem assediado o chefe da Fed e chamado repetidas vezes o banqueiro central de "Jerome 'Demasiado Atrasado' Powell" (Jerome 'Too Late' Powell) em público e nas redes sociais por este não descer as taxas de juro.O mandato de Powell termina em maio deste ano, 2026..Colisão entre Trump e Powell da Fed pode rebentar com o dólar e o rumo das taxas de juro