O Banco Central Europeu dispõe de diferentes opções para reagir ao choque energético relacionado com a guerra no Irão, medidas que serão adaptadas em função da amplitude e duração da mesma, assegurou hoje a presidente da instituição.O BCE não será "paralisado pela hesitação" e dispõe de um "leque graduado de opções de resposta" em termos de política monetária, disse Christine Lagarde, sem especificar, no entanto, quais.A instituição não agirá "antes de ter informações suficientes sobre a magnitude e a persistência do choque, bem como sobre a propagação" do mesmo, acrescentou.Segundo Lagarde, tudo será feito para manter a inflação em 2%, um compromisso que permanece "incondicional", enquanto um aumento duradouro dos preços dos hidrocarbonetos poderia provocar uma aceleração da subida dos preços.Na semana passada, o BCE manteve as taxas diretoras, como desde julho, e publicou uma série de cenários económicos mostrando que os riscos que pesam sobre a inflação não são lineares: quanto mais o choque durar e se intensificar, mais os preços e salários aceleram, com um desvio crescente em relação à meta de 2% se o BCE não reagir.Assim, choques de oferta de pequena magnitude, pontuais e de curta duração podem ser ignorados, mas "à medida que os desvios esperados em relação ao nosso objetivo de inflação se tornam mais significativos e persistentes, a necessidade de agir torna-se mais forte", insistiu.A política monetária "não pode fazer os preços da energia caírem", mas o BCE vai monitorizar o risco de ver o atual aumento dos preços do petróleo e do gás provocar uma "inflação generalizada".A esse respeito, o choque inflacionista provocado em 2022 pela invasão pela Rússia da Ucrânia "deixou marcas", segundo Lagarde.A situação atual é, no entanto, diferente, explicou Lagarde: no início de 2022, a inflação já estava em 5% num contexto de uma forte procura e escassez pós-Covid, enquanto hoje a recuperação é moderada, a inflação está próxima de 2%, as políticas orçamentais são menos acomodatícias e as taxas do BCE, em 2%, mantêm um caráter restritivo para a economia.Lagarde disse que a entidade monetária atuará se a inflação na zona euro subir muito e se afastar consideravelmente do objetivo de 2% a médio prazo como consequência da guerra contra o Irão.Se a inflação se desviar muito do objetivo de forma sustentada, a atuação da política monetária deve ser enérgica para evitar que esse aumento da inflação se incruste, acrescentou.A nova informação dará ao BCE mais clareza sobre como o conflito evolui e como a economia responde.Na zona euro, a inflação aumentou até situar-se em 8,4% em 2022, depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, em comparação com 2,6% em 2021.O BCE prevê agora vários cenários económicos dependendo de quanto subam os preços da energia e quanto tempo dure a guerra no Irão e a violência no Médio Oriente, explicou Lagarde.Em projeções de referência, o BCE antecipa preços do petróleo em torno de 90 dólares por barril e do gás de 50 euros por megawatt-hora (MWh) no segundo trimestre de 2026, que diminuirão posteriormente.Mas também contempla a possibilidade de que a situação seja adversa se os preços do petróleo e do gás atingirem um máximo de 119 dólares por barril e 87 euros por MWh, respetivamente, no segundo trimestre de 2026.O cenário severo contempla preços do petróleo de 145 dólares por barril e do gás de 106 euros por MWh no segundo trimestre de 2026, e que depois cairão a um ritmo muito mais lento e se manterão muito altos.A inflação seria mais elevada e o crescimento mais baixo nos cenários adversos e severo.A inflação será em 2026 de 2,6% segundo o cenário de referência, de 3,5% no cenário adverso e de 4,4% no severo.Nos dois primeiros cenários, a inflação deverá regressar a 2% em 2027, mas no severo deverá disparar para 4,8%.O crescimento será em 2026 de 0,9% no cenário de referência, de 0,6% no adverso e de 0,4% no severo. .BCE prevê que guerra arrase cenário macroeconómico do OE 2026