Inteligência artificial impulsiona receitas da Meta, mas eleva fatura de investimento a níveis recorde
A temporada de divulgação de resultados do terceiro trimestre confirmou esta quinta-feira (22 de outubro) a inteligência artificial como o motor incontornável de receitas, mas também como fonte inédita de pressão sobre a tesouraria das gigantes tecnológicas. No arranque da ronda destas empresas norte-americanas, a Meta Platforms, dona do Facebook e do Instagram, apresentou um desempenho financeiro robusto impulsionado pela publicidade digital, mas o volume de capital alocado à infraestrutura de servidores e centros de dados voltou a colocar o mercado em alerta.
A Meta reportou uma subida homóloga de 26% nas receitas totais, atingindo os 64,60 mil milhões de dólares (cerca de 59,81 mil milhões de euros). O negócio de publicidade digital, responsável por cerca de 98% da faturação da multinacional de Mark Zuckerberg, manteve-se o principal motor de receitas, crescendo 26% para os 63,06 mil milhões de dólares, beneficiando de um aumento de 10% nas impressões de anúncios e de uma subida de 14% no preço médio cobrado por anúncio.
O resultado operacional reportado fixou-se nos 12,99 mil milhões de dólares, condicionado por um encargo extraordinário de 9,89 mil milhões de dólares relativo ao acordo judicial celebrado com mais de 50 procuradores-gerais estaduais nos EUA sobre o impacto das redes na saúde mental dos jovens. Sem esse custo não-recorrente, o lucro operacional teria escalado para os 22,88 mil milhões de dólares e o lucro por ação teria atingido os 7,40 dólares – batendo confortavelmente as estimativas dos analistas.
O foco dos mercados incidiu, no entanto, na despesa de capital (o CapEx). A Meta reviu em alta o limite inferior da sua previsão de investimento anual em infraestruturas e servidores de IA para um intervalo entre 135 e 145 mil milhões de dólares. Com 34,91 mil milhões de dólares consumidos em CapEx apenas neste trimestre, o fluxo de caixa livre da empresa caiu para terreno negativo (-2,12 mil milhões de dólares), realçando o custo de manter a liderança na corrida aos grandes modelos de linguagem e capacidade de processamento.
Essa pressão de infraestruturas encontra reflexo direto nos fornecedores de hardware corporativo e semicondutores, que apresentaram contas nesta mesma sessão. A Texas Instruments viu as suas receitas trimestrais subirem 28% em termos homólogos para os 6,06 mil milhões de dólares (5,61 mil milhões de euros), com a administração a destacar um salto de 95% na procura proveniente de centros de dados de inteligência artificial.
No mesmo sentido, a IBM reportou receitas de 17,10 mil milhões de dólares (15,83 mil milhões de euros) – uma progressão de 5% –, ancorada no crescimento de 9% na divisão de software e na procura por integração de ferramentas de IA nas plataformas corporativas.
O dinamismo assim registado ganha solidez se tivermos em conta que, nas semanas anteriores, a holandesa ASML registou um trimestre de encomendas recorde no fabrico de equipamentos de litografia avançada. A líder europeia de chips já tinha assim sinalizado que a procura industrial por processadores não dá mostras de arrefecer.
Este primeiro teste à Big Tech consolida a perceção de que a monetização da IA existe e sustenta a faturação, mas exige um volume de tesouraria sem paralelo, transferindo todas as atenções para os anúncios da Alphabet, Microsoft e Amazon agendados para a próxima semana.
Tesla segura margens industriais, mas crescimento de vendas estagna
A Tesla reportou na quarta-feira à noite uma receita trimestral de 28,05 mil milhões de dólares (25,97 mil milhões de euros) no terceiro trimestre, um valor praticamente em linha com os 28,09 mil milhões de dólares apurados em igual período do ano passado, refletindo uma estabilização no ritmo de entregas comerciais de veículos elétricos.
Ainda assim, o lucro por ação ajustado fixou-se nos 0,48 dólares, superando o consenso de Wall Street (0,45 dólares). O indicador mais valorizado pelos analistas foi a recuperação da margem bruta automóvel (excluindo créditos regulatórios), que subiu para 18,1%, contra os 16,3% registados no trimestre anterior, beneficiando de uma redução sustentada no custo de produção por veículo.
Com um fluxo de caixa livre superior a 1,5 mil milhões de dólares e reservas de liquidez acima dos 45 mil milhões de dólares, Elon Musk procurou desviar o foco da concorrência de preços no setor automóvel para o avanço dos testes da condução autónoma (FSD) e do programa robótico Optimus, procurando reforçar perante os investidores a transição de fabricante automóvel para empresa tecnológica.

