Incerteza e cautela travam reservas dos portugueses para as férias de verão
Foto: Pedro Granadeiro

Incerteza e cautela travam reservas dos portugueses para as férias de verão

Os portugueses estão a adiar a marcação das férias e o impacto já se sente na hotelaria nacional que regista uma quebra das reservas do mercado interno. Procura de espanhóis, franceses e norte-americanos também refreou. Empresários estão pessimistas e esperam recuo nos proveitos.
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A época alta está à porta e as férias de verão ao virar da esquina, mas os portugueses estão mais cautelosos na hora de traçar planos. A atual conjuntura está a travar as reservas do mercado nacional nos hotéis do país que já notam um decréscimo da procura.

“Há um abrandamento em termos de reservas de residentes em comparação com o verão do ano passado. Existe alguma preocupação face às notícias que alertam para uma maior atenção à taxa de esforço e ao peso relativo que a habitação assume e as pessoas estão a guardar-se mais para o último momento”, justificou esta terça-feira, 2, a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Cristina Siza Vieira, que falava num encontro com jornalistas para apresentar as conclusões de um inquérito realizado pela associação junto dos hoteleiros sobre a pespetivas para o verão, destacou que os residentes são apontados por 68% dos inquiridos como sendo um dos três principais mercados nas reservas nos meses entre junho e setembro, o que se traduz num recuo de 10 pontos percentuais face ao período homólogo.

A representante considera que os dados simbolizam “uma preocupação relativa” que é preciso “acompanhar”, frisando que é ainda extemporâneo avançar com conclusões mais definitivas. A incerteza que paira no horizonte está a impulsionar as reservas de última hora e a responsável admite que os portugueses possam privilegiar destinos nacionais, ainda que por períodos mais curtos. 

“O mercado residente terá uma maior propensão para férias dentro do país, mas há alguma contração. Significará isto que continuarão a viajar e a fazer férias, mas diminuem o período de férias? Parece-me que poderá ser uma interpretação. Há maior propensão para ficarem, mas talvez menos tempo”, perspetiva.

Olhando para os principais mercados emissores internacionais, também os turistas espanhóis estão a refrear a procura em Portugal, com uma ligeira diminuição das reservas nesta altura em comparação com o mesmo período de 2025, cenário que se estende à França e aos Estados Unidos. Por outro lado, o interesse dos britânicos e dos alemães subiu com os hotéis a registarem mais marcações destas nacionalidades.

A instabilidade económica e geopolítica é a principal preocupação apontada pelos empresários para os próximos meses, que colocam ainda o aumento dos custos operacionais e a capacidade aeroportuária na lista dos constrangimentos à operação de verão.

“Há um maior pessimismo na confiança do turismo nacional, as perspetivas são menos positivas. O grau de confiança que se tinha registado em janeiro era superior àquele que verificámos agora em maio”, justifica a vice-presidente executiva da AHP.

Questionados sobre a escalda dos custos energéticos, 46% dos hoteleiros referem não ter sofrido impacto, enquanto que 36% indica que estão a reduzir preços para o verão. Por outro lado, 18% dizem ter aumentado as tarifas.

Olhando para os principais indicadores, os hotéis antecipam uma subida moderada do preço médio (ARR), contudo, perspetivam quebras tanto na taxa de ocupação como na estada média que irão pressionar os proveitos totais destes estabelecimentos de alojamento turístico.

Contas feitas, com menos hóspedes a pernoitarem por um período mais curto, os consumos dentro dos empreendimentos serão, inevitavelmente, menores. “Mesmo que o preço do quarto aumente, a expectativa é que os consumos venham a quebrar devido ao recuo na ocupação e na estada média”, explica Cristina Siza Vieira.

Numa leitura às reservas on the books para o verão, e à data de fecho do inquérito, a 17 de maio, as ilhas lideravam as reservas antecipadas enquanto que as regiões do Centro e do Alentejo apresentavam as taxas de reserva mais baixas.

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