Startup portuguesa leva tecnologia de prevenção de cheias urbanas aos Estados Unidos e ao México
A tecnológica portuguesa greenmetrics.ai, especializada na prevenção e monitorização de cheias urbanas através de sensores inteligentes e análise de dados, alargou a sua presença internacional ao continente americano com a entrada nos Estados Unidos e no México.
A empresa, que já contava com operações estabelecidas em Portugal, no Brasil e noutros mercados europeus, anunciou, em nota enviada ao DN/Dinheiro Vivo, ter já operacional o seu primeiro sistema de alerta antecipado na Florida e ter arrancado com um projeto-piloto na Alcaldía de Cuajimalpa, na Cidade do México.
A chegada ao mercado norte-americano concretiza-se através de uma parceria estratégica com a RescAlert Inc., entidade que colabora diretamente com operacionais de socorro nos EUA.
O sistema posto em prática na Florida faz a monitorização em tempo real da precipitação e das linhas de água, associando a deteção de inundações ao nível da rua à emissão imediata de alertas para os serviços de emergência.
No México, a tecnológica aliou-se à Alta Prevención WT México para arrancar com um piloto em Cuajimalpa, área urbana da capital mexicana frequentemente fustigada por episódios severos de cheias repentinas e pesados danos económicos.
"A internacionalização da greenmetrics.ai é, acima de tudo, a prova de que um problema que começámos por resolver em Portugal é um problema global. As cheias e as inundações não conhecem fronteiras e, por isso, a tecnologia que permite antecipar estes fenómenos tem de ser capaz de acompanhar essa realidade", afirma Tiago Marques, cofundador e CEO da empresa.
Da monitorização de sarjetas à inteligência artificial preditiva
Fundada em 2022 por Tiago Marques, Manuel Bastos e Diogo Nunes — colegas de curso no Instituto Superior Técnico —, a startup deu os primeiros passos a desenvolver soluções de monitorização para campos de golfe e para o lince ibérico, antes de redirecionar o foco para as catástrofes urbanas após as inundações que paralisaram Lisboa em dezembro desse ano.
Diferenciando-se de abordagens macro baseadas em satélite de gigantes tecnológicos como a Google, a solução da greenmetrics.ai assenta na colocação de sensores compactos e autónomos em sarjetas, coletores subterrâneos e ribeiras críticas. Os equipamentos recorrem à rede de rádio LoRaWAN — garantindo operacionalidade contínua mesmo quando falham as telecomunicações móveis e a rede elétrica durante intempéries severas — e alimentam modelos operacionais de resposta rápida.
Em Portugal, a rede da empresa abrange mais de 20 municípios (incluindo Lisboa, Porto, Cascais, Guimarães e Loulé), tendo chegado a registar alertas de risco com mais de uma hora de antecedência em episódios críticos.
Com uma avaliação de mercado fixada em sete milhões de euros e um modelo de subscrição como serviço (SaaS), a empresa tinha já expandido atividade para o sul do Brasil, Espanha e Itália.
O próximo salto tecnológico anunciado ocorrerá em 2027, ano em que a startup lançará a nova geração da sua plataforma. O desenvolvimento resulta de dois anos de investigação e de uma base histórica superior a três anos de registos ambientais recolhidos em 27 cidades.
O objetivo da nova arquitetura assente em Inteligência Artificial passa por antecipar os caudais de escoamento e detetar potenciais inundações antes sequer de haver registo de água à superfície ou de surgirem chamadas de socorro da população. Segundo Tiago Marques, a meta é "passar de uma tecnologia que deteta o que está a acontecer para uma tecnologia que ajuda a responder a emergências ainda antes de elas acontecerem, minimizando impactos sociais e económicos".

