Governo vai isentar de portagens trechos da A8, A17, A14 e A19 durante uma semana
Reinaldo Rodrigues

Governo vai isentar de portagens trechos da A8, A17, A14 e A19 durante uma semana

A isenção começará à meia-noite e vai incidir sobre as zonas afetadas pela depressão Kristin.
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O primeiro-ministro anunciou esta terça-feira, 3 de fevereiro, que o Governo vai isentar de portagens durante uma semana as zonas afetadas pela depressão Kristin, no perímetro que abrangerá trechos da A8, A17, A14 e A19.

A isenção começará à meia-noite e vai estender-se até terça-feira, dia 10 de fevereiro, às 24 horas.

O ministério das Infraestruturas especificou entretanto, em comunicado, que a isenção se aplicará nos seguintes trechos:

- Na A8, entre o nó de Valado de Frades e o nó de Leiria Nascente (COL);

- Na A17, entre o nó da A8 e o nó de Mira;

- Na A14 entre Sta. Eulália e o Nó de Ança;

- Na A19 entre o Nó de Azoia e o Nó de S. Jorge

"Esta decisão foi tomada por forma a poder apoiar a deslocação de materiais e de voluntários para estas regiões do país, em estrita articulação com as concessionárias e subconcessionárias", diz o comunicado.

O presidente executivo (CEO) da Brisa, António Pires de Lima, revelou depois que a concessionária irá comparticipar em 30% o custo de isenção de portagens em zonas afetadas pelo mau tempo, decidido pelo Governo.

“O Governo entrou em contacto connosco comunicando os troços que gostaria de isentar de portagens de hoje à meia-noite e durante os próximos oito dias e solicitou também este apoio por parte do Grupo Brisa, das nossas várias concessões, a BCR, a Brisal, a Autoestradas do Atlântico e as Autoestradas do Litoral Oeste”, referiu, indicando que o grupo, muito além daquilo que são as suas “obrigações do contrato de concessão”, acedeu “a suportar 30% do custo desta isenção”.

“A Brisa vai fazer um esforço relevante, que estimamos pode oscilar entre os 300 e 500 mil euros, nesta decisão política que nos ultrapassa, mas com a qual queremos mostrar também a nossa solidariedade”, destacou Pires de Lima.

O CEO da Brisa disse ainda que, como os troços foram comunicados “muito recentemente”, a empresa não dispõe do “valor exato” do que irá custar ao Estado.

Pires de Lima deixou ainda “uma nota de enorme solidariedade para com todas as pessoas e todas as famílias que têm vindo a ser afetadas”, salientando há “160 famílias, pessoas que trabalham no Grupo Brisa e que ficaram também sem parte dos seus haveres e com problemas nas suas casas”.

O grupo tem “mais de 200 operacionais vindos de diferentes regiões do país concentrados em manter as nossas autoestradas, apesar da adversidade climatérica, funcionais, acessíveis e em segurança”, acrescentou.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, tinha revelado na segunda-feira, 2, que o Governo estava a avaliar a isenção de portagens nas zonas afetadas pela passagem da depressão Kristin e prometeu uma solução nas próximas horas.

O presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, Paulo Vicente, tinha reivindicado a isenção imediata do pagamento de portagens no troço da autoestrada 8 (A8) que serve o concelho, entre a Marinha Grande e Leiria. Também a Câmara de Montemor-o-Velho tinha também pedido a suspensão temporária do pagamento de portagens na Autoestrada 14 (A14), enquanto se mantiverem os condicionamentos em várias estradas do concelho.

A Brisa disse, também na segunda-feira estar “inteiramente disponível” para aplicar uma possível isenção de portagens nas zonas afetadas pelo mau tempo, caso fosse decidida pelo Governo.

“Qualquer decisão que, no âmbito do Estado de Calamidade, vise a isenção de portagens é uma decisão política que ultrapassa a Brisa”, referiu em comunicado, indicando estar “inteiramente disponível para a aplicar se o Estado assim decidir”.

A Brisa lembrou que “os veículos de emergência estão isentos de pagamento de portagens em qualquer circunstância e em todo o território”.

A Brisa disse ainda que nas primeiras horas, a prioridade das suas equipas operacionais “foi garantir a circulação em segurança nas autoestradas, que são infraestruturas críticas para garantir o socorro das populações e o transporte de bens”.

A concessionária referiu que mobilizou mais de 200 pessoas de norte a sul do país para a região centro e restabeleceu “a circulação em todas as vias num curto espaço de tempo”.

“Apesar dos prejuízos avultados que registámos nas nossas infraestruturas, só com muito esforço foi possível garantir rapidamente que era possível transitar nestas vias, em total segurança para os clientes e para os veículos de emergência”, salientou.

O grupo aprovou também a atribuição imediata de um apoio solidário extraordinário no valor de 80 mil euros, ao Fundo de Emergência da Cáritas Diocesana de Leiria e ao Fundo Nacional de Emergência da Cruz Vermelha.

Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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