O governador do Banco de Portugal sustentou a necessidade de um novo aumento das taxas de juro já na próxima reunião de junho do Banco Central Europeu (BCE). A afirmação foi feita na manhã deste domingo, dia 31 de maio, por Álvaro Santos Pereira aos microfones do programa Conversa Capital, da Antena 1. Para o líder do regulador nacional, a inflação continua a ser a principal ameaça económica global.“É importante que, quando existem possíveis espirais inflacionistas, atuemos rapidamente”, afirmou o responsável, justificando uma ação preventiva da política monetária. Mesmo que as tensões geopolíticas no Médio Oriente abrandem, os seus efeitos secundários sobre os preços vão persistir a longo prazo.A verificar-se esta hipótese, e como os mercados e analistas citados na imprensa financeira nacional e estrangeira já anteveem, é de esperar que o BCE decrete uma subida de 25 pontos base (0,25%) na reunião de 10 e 11 de junho. Um aumento que empurrará a taxa de depósito (a principal referência atual) para os 2,25% e a taxa de refinanciamento – o juro cobrado pelo BCE nos empréstimos semanais à banca – para os 2,40%. Apesar de antever pressões inflacionistas acrescidas, Álvaro Santos Pereira afasta qualquer cenário de estagflação para o país, argumentando que a economia portuguesa continua resiliente e não regista sinais de desaceleração.