Uma corrida de automobilistas às bombas de gasolina, na China.
Uma corrida de automobilistas às bombas de gasolina, na China.Foto: FANG DONGXU / EPA

Gasóleo alivia muito esta semana, mas está 22% mais caro do que antes da guerra e a gasolina 11% acima

Alívio deve ser de pouca dura. Na sexta, o Irão anunciou que o Estreito de Ormuz estava aberto, mas no domingo foi cortado outra vez. Pior: começa a faltar petróleo para refinar.
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Nesta semana que agora entra, nesta segunda-feira, o preço médio do gasóleo rodoviário simples deverá descer cerca de 13 cêntimos por litro, a maior quebra desde que rebentou o novo conflito contra o Irão e no Médio Oriente, mas ainda assim, o custo do diesel continua 22% acima do que era antes desta guerra (antes de 28 de fevereiro), de acordo com cálculos do DN.

Na gasolina simples 95, o agravamento foi grande ao longo do último mês e meio, mas é menos agressivo do que no gasóleo. No entanto, encher o depósito, esta segunda-feira, continua muito mais caro (mais de 11%) do que antes do ataque dos EUA e Israel ao Irão.

Assim, já contando com os subsídios do governo, atestar um depósito de 50 litros de um carro a gasóleo (simples) deve custar menos 6,8 euros (menos 6,5%) no início desta semana face à anterior, mas face ao final de fevereiro, a fatura para encher o depósito custará mais 17 euros, esta segunda-feira.

No caso da gasolina 95 (simples), o alívio semanal sentido nesta segunda-feira quando atestar o carro será de apenas 1,7 euros por 50 litros (menos 1,7%), mas a fatura atual, mesmo com os subsídios do governo, continua muito acima do que era antes do início da guerra pois, no caso da gasolina, encher o depósito custa mais 9,6 euros, em média, agora do que no final de fevereiro, mostram contas do DN a partir de dados do sector dos combustíveis (Estado e empresas), isto é, Direção-Geral de Energia/Ministério das Finanças e Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC).

De acordo com uma portaria do Ministério das Finanças publicada na última sexta-feira, o Governo decidiu reduzir em 1,5 cêntimos o desconto extraordinário do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) no gasóleo porque, supostamente, os preços de importação do diesel desceram muito na semana passada com alguns sinais de desanuviamento da crise no Golfo Pérsico, tendo o Irão anunciado, inicialmente (na sexta), que o Estreito de Ormuz estava aberto.

Entretanto, durante o fim-de-semana, sobretudo este domingo, o Estreito voltou a fechar.

No caso da gasolina, as Finanças decidiram manter para esta semana o mesmo desconto que vigorou na semana passada, na sequência da perspetiva de que na próxima semana se vai registar uma descida ligeira do litro de 95.

"Face à perspetiva de que na próxima semana se irá registar uma descida significativa do preço do gasóleo rodoviário e uma ligeira redução do preço da gasolina sem chumbo, o Governo decidiu ajustar o desconto extraordinário e temporário no ISP em vigor aplicável ao gasóleo mantendo o valor do desconto aplicável à gasolina sem chumbo", diz a portaria publicada no Diário da República, sexta-feira à noite.

Petróleo já escasseia: bombas fechadas em partes da Ásia e de África

Seja como for, vários analistas consideram que este alívio deve ser de pouca dura dada a grande hostilidade e desconfiança que reina no Golfo e nos mercados.

Os mercados internacionais de petróleo e gás iniciam esta nova semana num estado de elevada tensão, marcados por preços ainda altos, forte volatilidade e uma dependência quase total da evolução da guerra no Médio Oriente.

Como referido, apesar de algum alívio registado nos últimos dias, a maioria dos analistas considera que os fundamentos continuam frágeis e que o risco geopolítico permanece incorporado nos preços. Ou seja, a inflação energética está a caminhar para ser algo de estrutural.

No petróleo, além da questão dos preços ainda muito elevados, a preocupação alastra relativamente à oferta física de produto.

Por exemplo, em vários países asiáticos e africanos (como Moçambique) há bombas de gasolina encerradas por já não terem combustíveis para vender.

Depois de março histórico, em que a Agência Internacional de Energia (IEA) classificou a disrupção atual como "a mais grave alguma vez registada", a produção global sofreu uma quebra superior a 10 milhões de barris por dia, em grande parte devido a ataques a infraestruturas e às restrições à navegação no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto (20%) do crude mundial.

Neste período, os preços do crude físico de referência para a Europa (o chamado dated Brent) chegaram a ultrapassar os 140 dólares por barril, muito acima das cotações dos contratos futuros, num sinal claro de que a escassez de petróleo para depois refinar é algo real, está a acontecer em várias partes do globo, como em alguns países africanos (como é o caso já referido de Moçambique) e asiáticos.

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