Atestar um depósito de 50 litros de um carro a gasóleo (simples) deve custar menos 2,5 euros (menos 1,9%) no início desta semana face à anterior; no caso da gasolina 95 (simples), o alívio será de apenas 1,2 euros (menos 1,3%), mas a fatura atual, mesmo com os subsídios do governo, continua muito acima do que era antes do início da guerra com o Irão e no Médio Oriente, mostram cálculos do DN a partir de dados do sector dos combustíveis (Estado e empresas), isto é, Direção-Geral de Energia/Ministério das Finanças e Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC).No entanto, é claramente visível que o preço do barril de petróleo que serve de referência para a formação de preços nos combustíveis em Portugal e na Europa (Brent) nas semanas imediatamente a seguir, aliviou muito mais entre a semana de 31 de março a 5 de abril e a semana passada: o custo médio do crude deslizou de 110,3 dólares para 100,8 dólares, uma quebra de quase 9%.O câmbio entre euro e dólar também esteve bastante estável neste período pelo que pode afirmar-se que a descida no custo da matéria prima está a ter pouco efeito nos preços finais em euros nas bombas de gasolina portuguesas.Em Portugal, os preços dos combustíveis são, por norma, atualizados todas as segundas-feiras com base na evolução dos mercados internacionais de petróleo da semana precedente.Segundo vários governos europeus, Portugal incluído, no atual contexto, a subida do crude estará a permitir a formação de rendas excessivas, benefícios extra para as empresas produzem e vendem combustíveis. De acordo com a Reuters, como tentativa de resposta, no início de abril, Portugal (pela mão do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento), Alemanha, Espanha, Itália e Áustria enviaram à Comissão Europeia um pedido para criar um imposto temporário sobre os novos lucros extraordinários das companhias energéticas.Face aos preços que vigoravam nas vésperas do primeiro ataque ao Irão (EUA e Israel lançaram a ofensiva a 28 de fevereiro passado), que já reflete o alívio no preço do petróleo da semana passada, o diesel está, em média, 31% mais caro; a gasolina 13% mais dispendiosa.Segundo os revendedores de combustíveis, esta segunda-feira, o preço médio do gasóleo simples deve descer 5,5 cêntimos por litro e a gasolina 95 deve baixar três cêntimos por litro.É a primeira descida desde o início de março, desde o começo da guerra que entretanto alastrou ao Médio Oriente.Com estes pequenos ajustamentos, o litro de diesel deve rondar esta semana 2,09 euros; o da gasolina 1,91 euros.Subsídios do Estado prolongadosOs preços finais agora estimados para a semana que começa já incluem os apoios do Estado, que foram prolongados.Na sexta-feira, 10 de abril, o gabinete do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, informou que, na perspetiva de que nesta semana que agora começa "se irá registar uma descida do preço do gasóleo rodoviário e da gasolina, o Governo decidiu não reduzir o valor do desconto extraordinário e temporário no Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) em vigor, resultando assim o desconto em vigor num montante superior ao que corresponde à receita adicional do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)".Assim, a mesma fonte oficial das Finanças refere que "continuará a aplicar-se uma redução das taxas de ISP de 8,3 cêntimos por litro no gasóleo rodoviário e de 4,6 cêntimos por litro na gasolina sem chumbo"."Considerando a incidência do IVA, o desconto real para os portugueses continuará, assim, a ser de 10,3 cêntimos por litro no caso do gasóleo rodoviário e de 5,6 cêntimos por litro no caso da gasolina sem chumbo."Tudo considerado, as Finanças afirmam que no contexto do conflito do Irão, "nos descontos que se encontravam anteriormente em vigor, a redução acumulada é de 21,6 cêntimos por litro na gasolina sem chumbo e de 19,9 cêntimos por litro no gasóleo rodoviário".Um custo que veio para ficarNo entanto, somam-se os avisos de que o choque no petróleo e noutras matérias primas é algo que veio para ficar, até porque já está a enraizar-se nos preços de bens e serviços não energéticos, na economia como um todo, basicamente.Um dos avisos mais sonantes veio do Fundo Monetário Internacional (FMI).No discurso de abertura das reuniões da primavera do FMI e do Banco Mundial, que decorrerão entre 13 e 18 de abril de 2026, em Washington, EUA, a diretora-geral do Fundo, Kristalina Georgieva, lançou uma rajada de avisos sérios.Disse que, mesmo que a guerra acabasse agora e que as tréguas entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão se transformassem numa paz duradoura, a destruição e os seus efeitos vão ser sentidos "por mais tempo", tendo em conta os danos já infligidos à produção, ao comércio e ao abastecimento de energia, que entretanto já se propagaram a outros sectores da economia regional e mundial.Segundo a economista búlgara, o custo de vida está a aumentar por causa da inflação (e mais desta pode estar a caminho), as taxas de juro vão ter de subir para conter a explosão de preços e o desvio face à idealizada meta de 2% (na Zona Euro, nos Estados Unidos, na maioria dos países avançados, basicamente), o movimento de mercadorias e de passageiros não vai ser o que era durante algum tempo, os fluxos de turismo internacionais devem cair e a fome irá alastrar por causa dos preços exorbitantes dos fertilizantes e dos alimentos, acenou Georgieva."Não fosse este choque, estaríamos a rever em alta as projeções de crescimento global", lamentou a chefe do FMI..FMI. Mesmo que a guerra acabe, custo de vida, energia e turismo ficam pior e haverá mais fome no mundo.Mercados ainda acreditam no desbloqueio de Ormuz até ao verão, mas desânimo alastra.FMI. Aposta na Defesa pode levar a cortes brutais em Saúde, Educação e apoios sociais