A indústria dos cruzeiros deverá ter recebido 37,7 milhões de passageiros no ano passado (os números finais ainda não estão totalmente apurados), volume que a confirmar-se significará um crescimento de 9% face aos 34,6 milhões registados em 2024, revela Nikos Mertzanidis, diretor executivo da Clia, a associação internacional que representa mais de 90% das companhias do setor. A ambição é agora chegar aos 40 milhões num futuro próximo. O responsável sublinha que esta meta "representa menos de 3% de turistas face aos 1,5 mil milhões de viajantes globais".Para assegurar um futuro de crescimento, a indústria prevê lançar aos mares mais de 80 novos navios de cruzeiro até 2036, o que representa um investimento superior a 60 mil milhões de euros, revela. Será uma resposta adaptada à procura. Segundo avança o responsável, um terço dos passageiros são estreantes, mas cerca de 80% afirmam que planeiam voltar a fazer um cruzeiro. Outra tendência é a renovação demográfica. As férias de cruzeiro são cada vez mais populares entre os viajantes mais jovens, incluindo Millennials, e continuam a atrair famílias e grupos multigeracionais, frisa.Nikos Mertzanidis lembra ainda que a indústria de cruzeiros tem crescido a uma média anual de 6%, em linha com o turismo global. No entanto, "um aumento de 6% em 40 milhões de passageiros significa aproximadamente 2 a 2,5 milhões de viajantes adicionais por ano", diz. Já "a mesma taxa de crescimento aplicada a 1,5 mil milhões de turistas globais traduz-se em aproximadamente 90 milhões de viajantes". Como sublinha: "Em termos absolutos, o impacto é muito diferente."Este produto turístico nem sempre é bem recebido pelas populações. É comum defenderem que tem pouco impacto na economia local e, sobretudo, que é um emissor de poluição atmosférica e sonora. A Clia refuta esta visão. Segundo Nikos Mertzanidis, o setor contribui "ativamente para o desenvolvimento de negócios locais, serviços de hospitalidade [hotelaria, restauração, bares, entre outros] e atrações culturais". Como adianta, o impacto económico da indústria a nível global atingiu os 156 mil milhões de euros em 2023.Em Portugal, a atividade de cruzeiros gerou cerca de 681 milhões de euros em receitas, contribuiu com 322 milhões de euros para o Produto Interno Bruto e apoiou mais de nove mil empregos em 2023 (últimos dados disponíveis), assegura Nikos Mertzanidis. No ano passado, o porto da Madeira recebeu mais de um milhão de passageiros. Lisboa "continuou a consolidar o seu papel como porto-chave de embarque e turnaround, com a atividade de cruzeiros a gerar um impacto económico superior a 80 milhões de euros", afirma o responsável.Na sua opinião, "Portugal apresenta um perfil muito equilibrado e atrativo como destino de cruzeiros". Como enumera, tem "uma localização estratégica no Atlântico, rico património cultural, diversidade de regiões e portos - desde Lisboa e Porto até à Madeira e Açores -, e fortes credenciais turísticas". Mas há dificuldades para ultrapassar. O país precisa de investir na modernização das infraestruturas portuárias, na transição energética e na conectividade, defende.A transição energética, com soluções seguras, escaláveis e acessíveis, é o maior desafio deste setor, que emprega direta e indiretamente mais de 1,6 milhões de pessoas em todo o mundo, 440 mil apenas na Europa. Como explica Nikos Mertzanidis, não há nenhum combustível alternativo disponível em larga escala e, por isso, as companhias de cruzeiros estão a melhorar a eficiência energética da operação, a assegurar energia a partir de terra e a investir em novas tecnologias. No entanto, existem muitos navios que já estão equipados para receber eletricidade a partir de terra, mas são poucos os portos que detêm a infraestrutura necessária.Aliás, a sustentabilidade desta indústria é um dos temas que estará em cima da mesa na Cimeira Europeia de Cruzeiros da Clia, que se realiza entre 23 e 26 de fevereiro, no Funchal, Madeira. Neste evento, que irá reunir centenas de participantes, desde executivos das maiores companhias de cruzeiros, decisores políticos europeus e nacionais e entidades ligadas ao turismo e à economia do mar, serão também debatidas as políticas que vão moldar a atividade no futuro da indústria e inovações e tecnologias marítimas. O papel da Madeira como centro atlântico em crescimento e o seu impacto no desenvolvimento da indústria de cruzeiros é outro dos temas da conferência..Comprar casa em Lisboa, Porto e Faro tornou-se um sonho. Taxa de esforço ultrapassa os 50% dos rendimentos .Volt Padel. A marca que mete raquetes portuguesas nas mãos de Beckham