Os residentes em Portugal estão a desviar-se dos destinos tradicionais de viagens de turismo e lazer, localizados em território nacional, e a escolher cada vez mais o estrangeiro.De acordo com um levantamento do DN aos dados oficiais do INE, o número de viagens ao estrangeiro por parte de residentes subiu mais de 30% e atingiu um máximo de 924 mil deslocações (quase um milhão, portanto) entre janeiro e março, naquele que é o valor mais elevado de sempre nesta altura do ano e o quinto registo trimestral mais alto da série histórica que remonta ao início de 2009 (quase 17 anos de dados).Segundo informa o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta terça-feira (28 de julho), o aumento no número de viagens ao estrangeiro por parte de residentes em Portugal duplicou no primeiro trimestre deste ano, tendo disparado 30% em termos homólogos, para quase um milhão de deslocações. Este aumento anual nas idas ao estrangeiro é cerca do dobro do registado no período precedente (15,6%) e há um ano atrás (18%).Recorde-se que o primeiro trimestre deste ano foi marcado de forma muito negativa pelas tempestades e depois pelo choque petrolífero. No entanto, a Páscoa calhou no final de março, dando um impulso importante ao turismo dos portugueses.Segundo o instituto, "no 1º trimestre de 2026, as viagens realizadas pelos residentes em Portugal cresceram 7%", quase metade face à expansão de 13,2% registada no quatro trimestre de 2025, totalizando assim 5,6 milhões de deslocações no total (dentro do território e para o estrangeiro).Este menor dinamismo nas viagens reflete essencialmente "o abrandamento do crescimento das viagens em território nacional", que cresceu 3,4% no primeiro trimestre, quatro vezes menos que nos três meses precedentes (12,8% no trimestre anterior).Dentro de Portugal, entre janeiro e março, o total de deslocações por motivos essencialmente de turismo e familiares, foi de 4,6 milhões, representando, ainda assim, "83,4% do total de deslocações".Mas o INE nota que, em compensação, os portugueses (residentes em Portugal) decidiram ir mais para fora. Há uma clara "aceleração do crescimento das viagens com destino ao estrangeiro", esta reflete uma expansão enorme na ordem dos 30% no primeiro trimestre, cerca do dobro do registado no trimestre anterior, o do Natal. No quarto trimestre, as deslocações ao estrangeiro tinham subido 15,7%, diz o INE.Com aquela subida de 30%, atingiu-se uma marca histórica de 923,8 mil deslocações de residentes para o estrangeiro em apenas três meses, totalizando assim quase um milhão de viagens, (16,6% do total).Recorde-se que poderá haver aqui um efeito Páscoa já que, este ano, a semana religiosa e de férias calhou no final de março. Em 2025, tinha calhado no início de abril (segundo trimestre).De acordo com o INE, as principais motivações para viajar no 1º trimestre de 2026 foram as “visitas a familiares ou amigos”, que geraram 2,4 milhões de viagens (43,7% do total; mais 2,8 pontos percentuais face ao primeiro trimestre de 2025).Não muito distante, o segundo motivo para viajar foi o tríptico “lazer, recreio ou férias”, que "motivou cerca de 2,3 milhões de deslocações (41,1%; mais 0,3 p.p. face ao primeiro 2025)", contabiliza o INE.Segundo esta mesma estatística, os “hotéis e similares” concentraram 30,3% das dormidas (4,7 milhões) resultantes das viagens turísticas dos residentes no 1º trimestre de 2026, mas o “alojamento particular gratuito” manteve-se como a principal opção de alojamento (58,6% das dormidas), acolhendo nove milhões de dormidas nas viagens de residentes.O instituto explica que "no processo de organização das deslocações, a internet foi utilizada em 29,2% das situações (+2,1 p.p.)", tendo sido opção para fazer reservas e compras "em 71,8% das viagens para o estrangeiro (-4,4 p.p.) e em 20,7% das realizadas em território nacional (+1,4 p.p.)"."Importa assinalar que os resultados mensais do trimestre poderão ter sido influenciados pela estrutura móvel do calendário, ou seja, pelos efeitos associados aos períodos de Carnaval e da Páscoa", diz o INE..Turismo estima receber 34 milhões de hóspedes e sete mil milhões de proveitos em 2026 .Guerra faz colapsar reservas dos mercados asiáticos em Fátima .Incerteza e cautela travam reservas dos portugueses para as férias de verão