O conflito no Médio Oriente tem colocado travão às viagens dos turistas da Ásia para a Europa, e o turismo em Fátima está a ressentir-se com a quebra da procura internacional. O decréscimo de mercados como a Coreia do Sul, a China ou a Índia, que têm assumido um peso expressivo nos indicadores da região nos últimos anos, está a impactar o setor, que não se mostra otimista com o panorama. “As dormidas e os indicadores na região não são animadores devido a uma quebra em mercados que são muito importantes para nós e que deixaram voar. Tanto as reservas de grupo como as individuais, provenientes do Extremo Oriente, estão em colapso”, ilustra ao DV Alexandre Marto Pereira, CEO da UHP e do Fátima Hotels Group. O empresário, que gere uma dezena de hotéis em Fátima, explica que estes turistas, que chegam ao país essencialmente a partir dos hubs do Qatar, de Abu Dhabi e do Dubai, fortemente impactados pelo conflito geopolítico, estão a desaparecer da lista de hóspedes das unidades hoteleiras. “As reservas da Coreia do Sul e da China têm tido uma quebra muito violenta, à qual se somam também os decréscimos dos mercados de Espanha, França, Alemanha, Brasil e dos Estados Unidos. Os operadores começaram a cancelar os grupos - estamos a falar de milhares de turistas - e estávamos à espera que alterassem as reservas para mais tarde, mas isso não está a acontecer. Desistiram porque a imprevisibilidade é enorme”, refere.Alexandre Marto Pereira adianta ainda que o atual cenário representa um “pesadelo” para os operadores turísticos. “Reuni-me com um operador indiano que cancelou toda a operação para a Europa porque não pode arriscar ficar com os passageiros retidos cá”, exemplifica. Ao contrário de outros destinos do país, que estão a beneficiar de um incremento do número de turistas, devido ao desvio de fluxos das regiões mais próximas da guerra, o mesmo não se verifica no Centro. “O público que vai para o Dubai, para a praia ou para fazer compras, não vai escolher, certamente, a região Centro. Não sei se escolherá a Madeira ou o Algarve, mas o Centro não será, com certeza”, atesta. Se os visitantes estrangeiros estão cair, por outro lado, as dormidas dos residentes estão a ganhar fôlego. Só em maio, a procura disparou 26% em Fátima, uma subida justificada pela retração dos turistas internacionais. “Os quartos estão vazios e os portugueses conseguem encontrar mais opções com preços simpáticos face às alturas em que os hotéis têm uma maior ocupação. Outro fator é que nesta região os preços também são mais baixos comparativamente com as grandes cidades”, indica. Ainda assim, o crescimento do mercado doméstico, acrescenta, não é suficiente para manter o mesmo nível de receitas e compensar o recuo dos clientes que chegam de fora e cujo poder de compra é maior..“Quando Lisboa se constipa, o Centro apanha pneumonia”.As perspetivas para os próximos meses não são positivas e Alexandre Marto Pereira assume estar pessimista ao olhar para a segunda metade do ano. Aos desafios da quebra dos turistas internacionais, juntam-se também os constrangimentos com o aeroporto de Lisboa que, afiança, não impactam só a capital. “A Portela não é um aeroporto de Lisboa, é muito mais do que isso, é um aeroporto que serve o Alentejo e toda a região do Centro. A partir do momento em que o aeroporto de Lisboa está saturado, em que há problemas de imigração, há mais hotéis, a receita por quarto disponível começa a cair, tudo tem implicações muito fortes, que funcionam por vasos comunicantes para o resto do país. Quando Lisboa se constipa, a região Centro tem uma pneumonia”, elucida. Para o CEO da UHP o aeroporto de Lisboa está a “transformar-se num grande entrave para o crescimento do país” e é um dos maiores desafios para o crescimento do setor. Num contexto em que a atividade se vê envolta em desafios, o empresário defende que é imperativo pensar em medidas de mitigação, que podem passar por tentar que os turistas que viajam pela TAP passem mais tempo em Portugal ou a redução das taxas turísticas em alguns municípios para tentar aumentar o tempo de estada médio, sugere o empresário..Alojamento turístico enfrenta catadupa de cancelamentos na Costa de Caparica