O Chega e o PS chumbaram o requerimento para ouvir a presidente do Conselho das Finanças Públicas e o ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno sobre as diferenças entre as previsões e o excedente orçamental em 2025.O requerimento, apresentado pelo Partido Social Democrata (PSD) para ouvir Nazaré Costa Cabral e Mário Centeno, foi chumbado com votos contra do Chega, do Partido Socialista (PS) e do Livre.Na apresentação do texto, o deputado social-democrata Alberto Fonseca considerou que estas duas entidades apresentaram “desvios muito significativos e até sem paralelo”.“Para 2025 tivemos um saldo orçamental positivo de 0,7% quando a última previsão de CFP era de 0,1% e do BdP era de 0,0%”, apontou.“Consideramos que é importante – até pela credibilidade – ouvir a presidente do CFP e o antigo governador do BdP para perceber como tal foi possível”, acrescentou o deputado social-democrata.O deputado do Chega Eduardo Teixeira acusou o PSD e o CDS-PP de “terem uma obsessão com Mário Centeno”.“Por que é que se tem de trazer o antigo presidente de um organismo?”, questionou, acrescentando que até o Governo e Instituto Nacional de Estatística (INE) erraram na previsão.Já o deputado Miguel Costa Matos, do Partido Socialista, apontou que não foram só as previsões destes dois órgãos que não acertaram e remeteu para as previsões da OCDE, europeias, do Fundo Monetário Internacional (FMI), que também erraram.O deputado socialista acusou o PSD de querer “partidarizar as previsões técnicas” e atribuiu a subida do excedente orçamental à má execução do investimento público no ano passado.Já Patrícia Gonçalves, do Livre, apontou que este requerimento “dificilmente pode ser encarado como um instrumento de escrutínio” e que pode levantar suspeitas sobre os profissionais que realizam estas previsões técnicas.PS e Chega apontaram que se for para ouvir as entidades autoras de previsões, então também devem ser chamadas entidades como a OCDE, o FMI ou a Comissão Europeia.O requerimento para a audição de Nazaré Costa Cabral e do antigo governador foi anunciado pelo deputado do PSD Hugo Carneiro em 31 de março, durante uma audição ao ministro das Finanças.Joaquim Miranda Sarmento, numa audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, também salientou estas diferenças entre as previsões das instituições e o resultado final, reiterando que "as críticas políticas e sobretudo as críticas ao aumento da despesa líquida primária aconteceram a partir do momento em que a AD foi para o Governo".Sobre o CFP, o ministro apontou vários factos, começando por sinalizar que as previsões de setembro do CFP em todos os anos, com a exceção da pandemia, "estão muito próximas do valor do saldo apurado", ou seja, têm um "modelo bastante bem calibrado".Durante a reunião de hoje, os deputados aprovaram o adiamento da votação do requerimento do CDS-PP para ouvir Centeno sobre o edifício da nova sede do banco central..Ano termina com excedente de 0,7%. Ministro diz que dá "margem para responder a crises das tempestades e Irão"