"Em Portugal, quase todas as famílias têm depósitos", a percentagem ascende a 98% do total de agregados, estimam o Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Banco de Portugal (BdP) nos resultados do vasto Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF) 2024, divulgados esta quinta-feira. É um sinal de grande "aversão ao risco", dizem.O mesmo estudo mostra ainda que a maior parte das famílias em Portugal parece estar protegida contra a crise crescente no acesso à habitação, ao mesmo tempo que viu a sua "riqueza" patrimonial disparar desde 2020 por causa da explosão nos preços das casas.Cerca de 70% dos agregados familiares têm casa própria e "a residência principal representava cerca de 56% dos ativos reais das famílias", indicam as mesmas fontes oficiais.Em valor, "a residência principal representava cerca de 56% dos ativos reais das famílias" no ano de 2024.Já a riqueza financeira das famílias "encontra-se muito concentrada em depósitos, que incluem certificados de aforro e do Tesouro". Como referido, 98% delas tem este tipo de poupança. "Isto está em linha com a elevada aversão ao risco das famílias", escreve o BdP.Apesar da rendibilidade dos depósitos ter sido magra nos últimos 15 anos, é a baixa exposição a outros mercados financeiros que as tem protegido das sucessivas crise financeiras globais, que afundaram bolsas, Estados soberanos e bancos."Os restantes ativos financeiros são detidos por uma percentagem reduzida de famílias". Em 2024, apenas 15% das famílias residentes investiam em "planos voluntários de pensões" e 9% em "ativos financeiros transacionáveis", um categoria que inclui fundos de investimento, ações cotadas e obrigações privadas."Os imóveis são um ativo muito frequente no património das famílias: cerca de 70% das famílias são proprietárias da residência principal e cerca de 30% são proprietárias de outros imóveis" e só 17% das famílias "têm uma participação num negócio (empresa não cotada) no qual trabalham", refere o banco central.Jovens e desempregados são menos ricos porque não conseguem casa própriaO estudo conclui ainda que "a riqueza líquida das famílias aumentou de forma acentuada entre 2020 e 2024, em grande parte devido ao forte crescimento dos preços da habitação"."A riqueza líquida média e mediana aumentaram cerca de 29% em termos reais em relação a 2020, para 298,4 mil euros e 151,8 mil euros, respetivamente", de acordo com o BdP."Em grande parte, esta evolução foi determinada pelo aumento do valor dos ativos reais (28,5%, em média), num contexto de forte crescimento dos preços da habitação", acrescenta o INE no seu comunicado.Como referido, "em 2024, a residência principal representava cerca de 56% dos ativos reais das famílias", sendo que os grupos com menor riqueza líquida são os que registam "uma percentagem mais baixa de famílias proprietárias da residência principal", indica o banco central no seu comunicado.É o caso das "famílias em que o indivíduo de referência se encontra desempregado ou tem uma idade inferior a 35 anos", refere a autoridade monetária.Nos grupos com riqueza líquida mais elevada, "os outros imóveis e os negócios por conta própria têm um peso importante nos ativos reais". Segundo o BdP, "é o caso das famílias de maior rendimento e daquelas em que o indivíduo de referência é trabalhador por conta própria ou tem o ensino superior".Do outro lado do balanço familiar, o banco central nota que, em 2024, "41,6% das famílias tinham algum tipo de dívida". "Entre as famílias endividadas, a mediana da dívida era de 35,3 milhares de euros e a proporção de famílias com níveis elevados de endividamento era inferior à observada no passado"..Álvaro Santos Pereira: aperto no acesso das famílias ao crédito à habitação tem de ser "vinculativo"