Bruxelas apoia queima do vinho em 15 milhões de euros. 
Bruxelas apoia queima do vinho em 15 milhões de euros. FOTO: Artur Machado / Global Imagens

Cerca de 200 operadores e 36 milhões de litros de vinho aprovados para destilação

Medida atingiu 98% da dotação. Chumbos são de adegas ou empresas que importaram garrafas.
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O Instituto da Vinha e do Vinho começou, na passada sexta-feira, a notificar os operadores que candidataram vinhos tintos com denominação de origem ou indicação geográfica protegida para queima, no âmbito da destilação de crise aprovada por Bruxelas, para ajudar a escoar os excedentes em Portugal. Em causa estão cerca de 200 operadores e aproximadamente 36 milhões de litros que seguirão para transformação em álcool para uso em fins industriais ou energéticos. Trata-se de 5,5%  da produção anual prevista para este ano, de cerca de 600 milhões de litros.

As verbas disponíveis, os 15 milhões de euros de fundos europeus a que foram acrescentados 3,5 milhões de saldos de receitas próprias do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), revelaram-se suficientes para cobrir as candidaturas aprovados, sobrando ainda cerca de 2% do total disponível. A principal razão das reprovações foi a submissão de candidaturas por parte de adegas e empresas que haviam importado ou comercializado vinho importado nos últimos três anos, fator de exclusão definido logo à partida.

Além disso, em menor número, houve casos de candidaturas de vinhos tintos, mas sem DOP ou IGP, o que vai contra as regras também.

Recorde-se que cada litro de vinho a destilar vai ser pago a 42 cêntimos em todo o país, sendo que, no Douro, será pago a 75 cêntimos o litro, para compensar os custos acrescidos da viticultura de montanha, e, por isso, às verbas europeias foram acrescentados os 3,5 milhões de saldos do IVDP. De acordo com um levantamento realizado pela Andovi (Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas) junto das 14 comissões de viticultura regional do país - tantas como as regiões demarcadas - foram submetidas candidaturas para a destilação de mais de 40 milhões de litros de vinho, sendo o Alentejo, o Douro e Lisboa as regiões com maior volume de excedentes.

Esta é a quarta destilação de crise em cinco anos aprovada por Bruxelas, sendo que, este ano, se destinou em exclusivo para apoiar os produtores de vinho nacionais, já que Portugal, na vindima passada, registou o maior aumento na colheita de todos os Estados-membros. O risco dos excedentes criarem pressão sobre os preços não apenas em Portugal, mas a outros países, levou a Comissão a aprovar esta medida excecional.

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