Sam Altman, CEO da OpenAI.
Sam Altman, CEO da OpenAI.EPA / Franck Robichon

CEO da OpenAI junta-se ao apelo de Amodei enquanto enfrenta crise de custos e infraestruturas

Sam Altam declara compromisso com auditorias externas e desaceleração da fronteira numa altura em que a gigante norte-americana bate contra as barreiras físicas da expansão tecnológica.
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Num momento em que os principais centros de inteligência artificial dos Estados Unidos enfrentam pressões técnicas e financeiras sem precedentes, o setor assistiu, este sábado (12 de setembro) a um alinhamento público entre os seus maiores rivais.

Primeiro foi Dario Amodei, diretor executivo da Anthropic, a publicar um ensaio intitulado "We Must Pace the Frontier", no qual defende a necessidade urgente de um abrandamento coordenado no avanço dos modelos mais avançados. A proposta foi logo acolhida Elon Musk, fundador da xAI, com um lacónico «Dario tem razão», no X. Mas logo depois uma das maiores concorrências da Anthropic, a OpenAI (ChatGPT) juntou-se às suas fileiras, com o CEO, Sam Altman, a afirmar a sua concordância. Uma união inédita entre rivais pela segurança mundial, ou antes um momento em que estes agentes de mercado estão em especial pressão técnica?

O que diz a Anthropic

No documento, Amodei adverte que os ciclos de auto-aperfeiçoamento recursivo aceleraram a tecnologia para além da capacidade humana de contenção e alinhamento. O responsável identifica a proliferação de agentes autónomos desregulados como o perigo mais iminente, traçando um horizonte de apenas seis a 12 meses para que sistemas avançados possam orquestrar ciberataques em grande escala através de botnets persistentes. Perante o risco de prejuízos avaliados em centenas de milhares de milhões de dólares ou de colapsos infraestruturais irreversíveis, o líder da empresa por trás do chatbot Claude propõe um pacto formal entre os laboratórios do mundo democrático para desacelerar o ritmo dos lançamentos e conceder a auditores externos independentes o mesmo nível de acesso a dados internos habitualmente reservado aos seus próprios funcionários técnicos.

Sam Altman, CEO da OpenAI.
Amodei pede travão na IA por "risco existencial": imperativo de segurança ou cálculo de mercado?

O gatilho para esta tomada de posição surge na sequência direta da demissão de Jacob Coxon, investigador de alinhamento com passagens pela OpenAI e pela Anthropic. Em declarações públicas que precipitaram a crise interna, Coxon acusou as administrações das tecnológicas de manterem uma corrida irresponsável rumo à superinteligência auto-aperfeiçoável, afirmando que muitos cientistas admitem em privado que estes sistemas podem colocar a sobrevivência humana em causa até ao final da década.

O compromisso de Altman

Foi a esta tese que, na rede social X, Sam Altman não apenas subscreveu integralmente, como revelou que a moderação da velocidade de treino tem sido o principal tema de debate interno na OpenAI nas últimas semanas.

O líder de uma das maiores empresas de IA do mundo comprometeu-se mesmo a adotar as auditorias com acesso total aos sistemas.

Em que estado está a OpenAI

Apesar de o discurso público se concentrar nos imperativos éticos e de segurança, analistas económicos apontam para o facto de que este apelo a uma pausa coordenada coincide com um momento em que todas estas organizações colidem com graves estrangulamentos operacionais.

A liderança comercial da OpenAI, sustentada pela preferência dos programadores e pela integração no ecossistema da Microsoft, enfrenta a saturação física das redes elétricas nos Estados Unidos — o que atrasa projetos de centros de dados de grande escala —, o esgotamento dos dados humanos na internet para pré-treino, custos financeiros brutais e a perda recente de figuras fundadoras do seu núcleo científico.

Um abrandamento no desenvolvimento — e, mais concretamente, nas expetativas do mercado sobre aquilo que os novos sistemas devem oferecer — poderá servir-lhes como um necessário balão de oxigénio nesta fase.

Cenário semelhante afeta a própria Anthropic, como pode ler em maior detalhe aqui, com a tecnológica de Amodei a sofrer particularmente por não possui infraestrutura própria de processadores e depende de capacidade alugada na Amazon Web Services e na Google Cloud. O aumento acentuado da procura sobre a sua API gerou limitações de capacidade nos últimos meses, tendo o próprio Amodei reconhecido, no seu ensaio, a existência de problemas de execução interna decorrentes da sobrecarga operacional.

No momento, entre os gigantes ocidentais, só a Google parece estar conseguiu recuperar terreno após meses de incerteza motivados pelos sucessivos adiamentos do Gemini 3.5 Pro, que chegaram a ter um forte impacto no valor de mercado da Alphabet. Ao alavancar o domínio sobre os seus processadores tensores proprietários (TPUs) e a escala global dos seus centros de dados, a empresa conseguiu introduzir modelos intermédios de elevada eficiência computacional, reduzindo os custos de inferência e anulando a vantagem competitiva dos concorrentes sem depender de fornecedores externos de hardware.

A convergência de interesses entre os operadores dominantes para impor um travão formal e auditorias complexas está a ser encarada por alguns peritos em economia como uma manifestação clássica de captura regulatória. Num momento em que o custo de conformidade legal, certificação de segurança e comités de fiscalização atinge valores proibitivos para novos concorrentes, a institucionalização de regras rígidas arrisca cristalizar o mercado à volta dos operadores incumbentes e travar o avanço do ecossistema de código aberto, oferecendo às grandes tecnológicas o intervalo de tempo necessário para reorganizarem as suas operações sem perderem a liderança da corrida global. Ao mesmo tempo, poderá "comprar-lhes" algum tempo para tentarem resolver as dificuldades em que vivem atualmente.

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