Bruxelas diz a Trump que proibir exportações de gasóleo mina relações e prejudica todos
A Comissão Europeia avisou esta sexta-feira (2 de outubro) que uma proibição da exportação de gasóleo, ponderada pelos Estados Unidos, “não beneficiaria ninguém” e colocaria em causa o estatuto de Washington como “parceiro fiável”.
“Rejeitamos totalmente qualquer proibição da exportação de gasóleo. Uma proibição desse tipo não beneficiaria ninguém e comprometeria a nossa confiança nos Estados Unidos enquanto parceiro fiável”, advertiu a porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonen na conferência de imprensa diária do executivo comunitário.
Este aviso foi deixado numa altura em que os Estados Unidos estão a ponderar proibir as suas exportações de petróleo e depois de, na quinta-feira, Donald Trump ter defendido que os países europeus deveriam libertar as suas reservas desse combustível “para mitigar as perturbações do mercado.
Sobre este último pedido, a porta-voz da Comissão Europeia frisou que a União Europeia está disponível para tomar uma “ação coletiva”, mas sempre no âmbito da Agência Internacional de Energia (AIE).
“Cabe à AIE organizar qualquer libertação das reservas”, salientou.
Questionada se, caso os Estados Unidos decidam avançar com essa proibição das exportações de gasóleo, a UE está pronta para retaliar, Anna-Kaisa Itkonen respondeu que o bloco está disponível para responder “de maneira coordenada”, com os seus parceiros internacionais.
“Há conversas em curso e telefonemas a acontecer. A UE estará unida, aconteça o que acontecer, também no que diz respeito à atuação no âmbito da AIE. Mas, quanto aos próximos passos, temos de aguardar para ver”, referiu.
Sobre se os europeus têm motivo para estar preocupados quanto a uma eventual escassez de combustíveis, a porta-voz salientou que, após uma reunião esta segunda-feira, o Grupo de Coordenação da UE sobre o petróleo reiterou que não há “problemas imediatos quanto à segurança de abastecimento”.
“O abastecimento permanece estável por enquanto e garantir a segurança do abastecimento dos nossos Estados-membros continua a ser a nossa principal prioridade. Por isso, nesse sentido, os nossos cidadãos não precisam de estar preocupados”, frisou.
No entanto, Itkonen reconheceu que, ao mesmo tempo, se está a assistir a uma crise a nível do custo de vida, porque “os preços da energia estão muito elevados neste momento”.
“Esta é uma questão em que estamos a trabalhar e iremos anunciar uma proposta sobre o assunto no momento oportuno”, prometeu.
Em 23 de setembro, o ‘site’ de notícias norte-americano Politico noticiou que os Estados Unidos estão a ultimar um plano para proibir as exportações de gasóleo durante 90 dias, apesar das divisões que a iniciativa gera no setor petrolífero e dentro do próprio governo liderado por Donald Trump.
O jornal digital Politico referiu que o objetivo da Casa Branca é lançar um pacote de medidas para reduzir o custo da energia antes das eleições intercalares, em 3 de novembro.
A concretizar-se, esta seria a primeira restrição às exportações de energia dos EUA desde que o ex-presidente Barack Obama levantou, em 2015, uma proibição de venda de crude que estava em vigor há décadas.

