O PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, “exclusivamente português” (como disse o primeiro-ministro, Luís Montenegro), o plano criado pelo governo para apoiar com financiamento direto, indireto e garantias bancárias as empresas e famílias que sofreram com as catástrofes climáticas de janeiro e fevereiro de 2026, vai ter um contributo significativo do Banco Europeu de Investimento (BEI), anunciou a presidente da instituição financeira europeia, esta quinta-feira, numa visita a Lisboa.Segundo Nadia Calviño, o BEI vai meter mais de mil milhões de euros (empréstimos e garantias para empréstimos bancários) neste esforço para ajudar o país, sobretudo a região Centro, a reerguer-se da “catástrofe” que começou com a depressão Kristin e que depois se prolongou por três semanas de tempo severo.Num primeiro momento, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, avançou com uma estimativa muito provisória e apontou para quatro mil milhões de euros em prejuízos.Depois, o primeiro-ministro, apontou para um valor nessa fronteira, nos 3,5 mil milhões.Mas o montante não está fechado porque o governo e as autarquias estão a “auscultar”, a fazer um levantamento dos estragos no terreno junto de empresas e famílias.Assim, o valor do PTRR será determinado depois de concluído este processo, que decorre até março; o objetivo do governo de Montenegro é apresentar a versão final do PTRR no início de abril.A presidente do BEI, que vai ser um dos grandes credores e apoiantes no esforço de reconstrução, confirmou esta quinta-feira, num encontro no Ministério das Finanças liderado por Joaquim Miranda Sarmento, que o grupo BEI “tem vindo a trabalhar desde o primeiro dia com as autoridades portugueses e apresenta agora um pacote de apoio ao país para tentar financiar e recuperar o mais rapidamente possível a normalidade nas regiões mais diretamente afetadas pelas cheias”.“Estamos a finalizar as negociações para disponibilizar mil milhões de euros em financiamento, a ser aprovado em abril, com dois pilares: até 300 milhões de euros para a reconstrução das infraestruturas danificadas (um empréstimo à República Portuguesa) e 750 milhões de euros em linhas de crédito com garantias para pequenas e médias empresas e empresas de média dimensão, junto de bancos comerciais e do Banco Português do Fomento”, detalhou a antiga vice-primeira-ministra de Espanha (governo PSOE, de Pedro Sánchez).Estes valores foram noticiados pelo Eco, em fevereiro; agora, a presidente do BEI confirmou o acordo, dando mais alguns detalhes.O BEI, sediado no Luxemburgo, tem uma relação muito antiga com Portugal, fará 50 anos este ano. Chegou em 1976, dez anos antes de o país aderir à União Europeia (em 1986), algo que é motivo de orgulho para Nadia Calviño, fez saber a presidente.A participação deste banco grossista (ou seja, empresta dinheiro a taxas de juro muito baixas, que depois é canalizado pelos bancos comerciais em Portugal) é longa e tem obra feita.Financiou a construção da Ponte Vasco da Gama, financia as enormes obras do plano de drenagem de águas de Lisboa, o parque eólico flutuante em Viana do Castelo, o pólo da Universidade Nova em Carcavelos, unicórnios portugueses (empresas de alta tecnologia), foram alguns exemplos destacados pela líder do BEI.O valor global de financiamento concedido pelo grupo Banco Europeu de Investimento (Grupo BEI) aumentou 43% entre 2024 e 2025, para cerca de três mil milhões de euros.“É um dos maiores crescimentos de que há registo”, disse Nadia Calviño.O grupo, constituído pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e pelo Fundo Europeu de Investimento (FEI), referiu que os empréstimos de trêm mil milhões aprovados no ano passado deverão "mobilizar aproximadamente 12 mil milhões de euros em investimentos, o correspondente a quase 4% do Produto Interno Bruto (PIB)” português, diz o BEI.Nadia Calviño sublinhou também que Portugal lidera, entre os 27 países da União Europeia, neste multiplicador: é o país que na Europa gera mais valor por cada euro de financiamento.Em 50 anos, BEI financiou Portugal em mais de 61 mil milhões de eurosOs primeiros investimentos suportados com consultoria e linhas de crédito do BEI aconteceram em 1976.Desde essa altura, o banco europeu financiou cerca de 525 projetos, sendo que o total de empréstimos neste meio século ascende a 61 mil milhões de euros.Um dos projetos mais emblemáticos de 2025 foi o TGV (ferrovia de alta velocidade entre Porto e Lisboa). “Representou quase mil milhões de euros”, disse a alta responsável.Em 2025, o BEI também emprestou 750 milhões de euros para habitação a preços acessíveis, que inclui a construção e renovação de cerca de 12 mil unidades habitacionais”.Esta quinta, Calviño revelou ainda que, nesta área, o BEI pretende “reforçar a habitação com um pacote [de financiamento] de 1,5 mil milhões de euros, agora mais focado na habitação social”. Seguem-se mais detalhes nos próximos dias, prometeu..Empréstimos do grupo BEI a Portugal aumentaram 43% em 2025.BEI concede 175 milhões à Iberdrola para dois parques eólicos híbridos no Norte de Portugal