Uma em cada 10 empresas não conta aguentar até final de maio

Novo inquérito sobre a pandemia aponta que mais de metade ainda não recorreram a linhas de crédito ou moratórias da banca.

Uma em cada 10 empresas das que ainda não fecharam portas de vez admite não sobreviver mais um mês sem medidas adicionais de apoio, numa altura em que mais de metade dos negócios não terão acedido a medidas como o crédito à tesouraria apoiado com garantias de Estado ou à suspensão de pagamentos de prestações junto da banca.

A estimativa resulta do último inquérito extraordinário do INE e do Banco de Portugal ao impacto da pandemia na atividade empresarial, que colige respostas de perto de seis mil empresas ao longo da última semana.

Nos dados da segunda semana de inquéritos, não há alterações significativas quanto ao peso da pandemia em insolvências e encerramentos temporários, com 17% dos negócios inquiridos (18% na semana anterior) a manter portas fechadas. Os encerramentos definitivos contam-se em 1%.

Mas muitos negócios temem ser os próximos. Os dados do INE e BdP apontam que 10% das empresas não vê um horizonte de vida superior a um mês sem medidas adicionais, enquanto 48% calculam não sobreviver dois meses sem esses apoios, chegando assim ao início do verão com o negocio definitivamente encerrado.

Apesar de os dados do governo darem conta de perto de cinco milhões de euros em crédito bonificado para aprovação e de um recurso significativo ao adiamento de pagamento de impostos, os dados do inquérito extraordinário ainda apontam baixos níveis de absorção das ajudas disponibilizadas.

Segundo os dados, só 1,6% dos inquiridos (90 em 5760 empresas) dizem ter recorrido às linhas de financiamento apoiado com garantias de Estado e juros baixos, com a maior parte dos pedidos a partirem dos sectores industrial e da energia. Há 39% das empresas que ainda fazem planos de aceder ao crédito, enquanto 3% dizem-se não elegíveis para o apoio e 55% não planeiam apresentar pedido.

No acesso a moratórias de pagamento de juros e capital existentes, e adiamento de pagamento de impostos, a taxa de adoção é maior, a atingir 9% das empresas em ambos os casos. Ainda assim, mais de metade não beneficiou das medidas, não planeia beneficiar ou não é mesmo elegível para tal.

Caso diferente é o do recurso ao lay-off simplificado, ao qual até ontem já tinham apresentado pedidos mais de 85 mil empresas, de acordo com os dados do Ministério do Trabalho. O inquérito do INE mostra que 60% das empresas em funcionamento estão com pessoal reduzido, e a principal razão é o recurso à suspensão de contratos e redução de horários com diminuição de salários, adotada em 51% dos negócios que contam agora menos pessoal.

Entre quem mantém a atividade, mudaram entretanto as formas de fazer chegar bens e serviços. Nesta edição do inquérito, INE e BdP fazem contas a quantos negócios alteraram o processo de produção e canais de distribuição. A conclusão é que 29% mudaram a forma de produção ou diversificaram-na, com outros 21% a alterar ou reforçar canais de distribuição - por exemplo, através de plataformas online ou de entregas de take-away, no caso do negócio da restauração.

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