Queda brutal. Turismo afunda mais de 60% em março

O alojamento turístico contou com quase 698 mil hóspedes e 1,9 milhões de dormidas em março. Em ambos os casos, as quebras são na ordem dos 60%.

É a confirmação de um cenário já antecipado. O turismo afundou em março devido à pandemia de Covid-19. O setor do alojamento turístico contou com 697,7 mil hóspedes e 1,9 milhões de dormidas em março, o que significa menos 62,3% em termos de hóspedes e 58,7% em termos de dormidas.

No que diz respeito aos hóspedes, 396,5 mil eram residentes no estrangeiro e foram responsáveis por 1,3 milhões de dormidas. A estada-média foi de 2,72 noites. Os proveitos totais registaram uma variação de -60%, situando-se nos 98,9 milhões de euros.

Os proveitos de aposento recuaram quase 60% para 71,8 milhões de euros. O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) decresceu 57,4% para 14,4 euros (+6,3% no mês anterior). O rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 66,1 euros, recuando 6,2% (+2,4% em fevereiro), indica ainda o INE.

Estado de Emergência entrou em vigor em Portugal a 19 de março, restringindo assim a movimentação dos cidadãos. Tal como Portugal, outros países europeus aplicaram medidas restritivas. Além disso, muitos eventos de empresas e viagens de turismo foram canceladas ou adiadas devido aos receios de contágio logo no início do mês.

Para se ter uma ideia, em março do ano passado, as unidades de alojamento turístico (que inclui alojamento local e hotéis) contaram com 1,8 milhões de hóspedes, dos quais 1,06 milhões eram residentes lá fora.

No primeiro trimestre de 2020, as unidades turísticas contaram com 3,7 milhões de hóspedes, menos 17,6% que em igual período de 2019. Foram 8,9 milhões de dormidas, um decréscimo de 18% face ao período homólogo de 2019. O trimestre foi sobretudo penalizado pelo mês de março, mês em que a pandemia do novo coronavírus afetou não só Portugal mas também o resto da Europa, principais mercados emissores de turistas para o País.

Voos descem a pique

Os números relativos à atividade turística em março e no primeiro trimestre não são uma surpresa. O turismo em Portugal está muito dependente da aviação, igualmente um setor fortemente afetado pela pandemia. No início de abril, a NAV, empresa de navegação aérea, revelou que geriu menos 24,3 mil voos em março. Ou seja, registaram-se 43,8 mil movimentos ao longo do mês, o que representa uma quebra de 36% face ao registado no mesmo período de 2019.

"O total de voos geridos pela NAV, ou "movimentos", inclui não apenas os voos com origem/destino em aeroportos portugueses, mas também aqueles que sobrevoam o espaço aéreo sob responsabilidade portuguesa - que totaliza mais de 5,8 milhões km2. Apesar da quebra do tráfego no mês de março, como um todo, se ter situado em 36%, sublinhe-se que foi a partir do dia 16 que se iniciou um ciclo de quebras cada vez mais acentuadas à medida que diversas ligações começaram a ser suspensas", indicava na altura a empresa em comunicado.

O que os números mostram é que, até meio do mês, a NAV tinha gerido 31,8 mil voos, o que se traduz numa quebra de 2% face ao período homólogo. Por outro lado, na segunda metade do mês, foram controlados apenas 12 mil voos, menos 66% que no período comparável de 2019. Portugal decretou o Estado de Emergência no passado dia 19 de março, tendo as autoridades apelado ao confinamento da população e aplicando medidas de restrições de movimentos.

"Já se tivermos apenas em linha de conta a última semana do mês, a quebra do tráfego superou os 85%. Os valores registados na última semana de março, ao que tudo indica, deverão manter-se ao longo do corrente mês, sendo por isso expectáveis quebras a rondar os 85% e 95%", nota a NAV.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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