Portugal sobe dois lugares no ranking de competitividade mundial

Inflação baixa e saída da dívida pública dos cálculos ajudaram o país a refazer parte do caminho perdido em 2019. Está agora em 37.º lugar.

Ainda não chega para recuperar o lugar obtido em 2018, mas é uma melhoria. Portugal sobe este ano dois lugares no ranking mundial de competitividade do instituto suíço de gestão IMD, passando para a 37.ª melhor posição entre 63 países e territórios. O topo da lista, que continua a ser liderada por Singapura, é este ano tomado pela Dinamarca e pela Suíça, com Hong Kong e Estados Unidos a descerem significativamente na tabela.

Para Portugal, há uma recuperação parcial face à queda em seis lugares de 2019, num ano em que esta classificação internacional deixa de pesar critérios como o nível de endividamento público e introduz outros, como a qualidade da democracia e a capacidade de inclusão no mercado de trabalho e nas lideranças. O índice do IMD reúne 337 indicadores, de entre os quais 255 pesam efetivamente nas classificações. Os restantes figuram como contexto, sendo esse o caso do rácio de endividamento público.

O país melhora a posição relativa nas quatro grandes áreas de análise do ranking: desempenho económico, eficiência da governação, eficiência empresarial e infraestruturas. Baixa inflação, indicadores de igualdade, da educação e atitudes manifestadas pelos gestores elevam pontuações. Já os impostos e as práticas efetivas de gestão arrastam o país para o fundo.

O economista Daniel Bessa, envolvido no estudo que é conduzido pela Porto Business School para a parte portuguesa, considera que o resultado nacional "seria francamente melhor se não fossem alguns pontos fracos que continuam a prejudicar a nossa competitividade, vindos tanto das políticas públicas (53.ª, entre 63 países avaliados, em matéria de política tributária) como das empresas (52.ª em práticas de gestão)". "Ajudam também muito pouco, agora em termos de ambiente económico global, os baixíssimos níveis tanto de poupança como de investimento, de tudo resultando uma expectativa de crescimento económico futuro muito baixo".

No desempenho da economia, Portugal sobe este ano dois lugares, passando da 43.ª à 41.ª. Entre os fatores pesados estão a evolução da economia doméstica, da participação no comércio e no investimento internacional, do emprego e ainda dos preços, onde a inflação de 0,3% no último ano dá a Portugal uma das melhores classificações - um 30.º lugar. As exportações portuguesas também garantem uma 34.ª posição, ao passo que dados como o crescimento do PIB e PIB per capita atiram o país para um 48.º lugar.

No que diz respeito à eficiência das políticas públicas, Portugal recupera três posições para o 34.º lugar em que já tinha estado em 2018. A liberdade de imprensa, os indicadores de igualdade e a baixa criminalidade garantem um 22.º lugar nos fatores sociais. A mesma posição na legislação para empresas, avaliada como relativamente favorável. Já a política fiscal continua a arrastar o país para o fundo, com o ranking a medir carga fiscal total, taxas de IRS, IRC e IVA, bem como o nível da Taxa Social Única. Dá um 53.º lugar, a pior de todas as classificações obtidas pelo país.

Na eficiência empresarial é onde Portugal mais melhora a sua posição relativa, escalando do 45.º lugar ao 41.º, apoiado pelos resultados de inquéritos onde transparece uma melhoria nos valores e atitudes dos gestores portugueses (24.º). Além deste indicador, contam produtividade (44.º), do mercado de trabalho (44.º), canais de financiamento (44.º) e, finalmente, as práticas de gestão (52.º), o segundo pior indicador português a seguir à política fiscal.

Os indicadores das práticas de gestão analisam critérios que medem desde a agilidade das empresas, às práticas de contabilidade e credibilidade de gestores, numa série de classificações obtidas por inquérito. Mas incluem também dados quantitativos como a percentagem de mulheres nos conselhos de administração ou peso dos novos negócios no tecido empresarial.

Portugal obtém ainda melhorias ao nível das infraestruturas. Passa do 29.º ao 27.º lugar no indicador onde contam este ano os resultados PISA dos alunos. A educação alcança um 24.º lugar, tal como o ambiente e saúde. Já as infraestruturas básicas, como estradas, portos ou ferrovia, colocam Portugal no 36.º posto.

Na análise ao país, o ranking elege cinco desafios para este ano. O primeiro, dificilmente alcançável no atual contexto de pandemia, implica garantir crescimento numa situação internacional adversa. As recomendações restantes são para uma política fiscal mais amiga do investimento, concertação de uma estratégia para a transformação digital, um acordo político na educação para as ciências e ainda redução da burocracia e melhorias no sistema dos tribunais.

Classificação global de Portugal - 37

Desempenho económico - 41

Economia doméstica - 48

Comércio internacional - 31

Investimento internacional - 34

Emprego - 40

Preços - 30

Eficiência das políticas públicas - 34

Finanças públicas - 46

Política fiscal - 53

Enquadramento institucional - 35

Legislação para as empresas - 22

Enquadramento social - 22

Eficiência empresarial - 41

Produtividade e eficiência - 44

Mercado de trabalho - 44

Setor financeiro - 44

Práticas de gestão - 52

Atitudes e valores - 24

Infraestruturas - 27

Infraestruturas básicas - 36

Infraestruturas tecnológicas - 29

Infraestruturas científicas - 34

Saúde e Ambiente - 24

Educação - 24

Ranking de Competitividade Mundial IMD 2020

1 - Singapura

2 - Dinamarca

3 - Suíça

4 - Holanda

5- Hong Kong

6 - Suécia

7 - Noruega

8 - Canadá

9 - Emirados Árabes Unidos

10 - Estados Unidos

Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo

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