Portugal e Espanha juntos no plano de recuperação para apresentar a Bruxelas

Os dois países recusam fechar a fronteira e admitem estratégia partilhada para hidrogénio, lítio e o 5G. Costa abre linha à alta velocidade, mas só admite discutir o tema após 2023.

Nem a pandemia trava a união entre Portugal e Espanha. Os dois países estão prontos para apresentarem um plano de recuperação conjunto à Comissão Europeia e também estão alinhados na estratégia para o hidrogénio, o lítio e a tecnologia 5G. António Costa e Pedro Sánchez estiveram juntos no sábado, na cidade da Guarda, para a 31.ª Cimeira Ibérica e as ligações entre as duas fronteiras foram o mote para este encontro.

"Desta vez, não iremos separados a Bruxelas. Iremos, em conjunto, partilhar a visão e a estratégia. Não queremos que a região de fronteira seja um ponto de separação mas sim de união entre os países", assinalou o primeiro-ministro português.

Mas a cooperação ibérica também chega a outras áreas. Na saúde, o serviço de emergência vai atuar por proximidade junto à fronteira. Se alguém precisar de cuidados médicos em Portugal, mas a ambulância mais próxima estiver em Espanha, o doente será atendido pelo sistema de saúde do país vizinho. Também o INEM português poderá atuar do lado espanhol se for necessário.

Na energia, com o lítio, é necessário que o desenvolvimento de produtos tecnológicos mais valiosos à base deste metal "tenha uma base na Península Ibérica, preferencialmente numa região de fronteira". Com o hidrogénio, Portugal e Espanha "poderão ser fornecedores para o resto da Europa".

Na tecnologia de rede 5G, os dois países estão terminar o desenvolvimento de corredores de transportes entre os dois países. Numa altura em que os Estados Unidos chamam a atenção para uma eventual entrada da tecnologia da chinesa Huawei em Portugal, o líder do governo espanhol, Pedro Sánchez, assinala as parcerias com a Telefónica, Huawei, Nokia e empresas dos Estados Unidos. "A Península Ibérica pode converter-se num grande centro de dados. Queremos que as tecnologias cheguem aos dois países."

Portugal e Espanha estão juntos pelo futuro da saúde financeira numa altura em que lidam com a pandemia. Portugal teve o maior número de casos diários de covid-19 e a capital espanhola está em estado de emergência. Ainda assim, os dois países recusam fechar as fronteiras. Apesar de Sánchez falar numa evolução "muito preocupante" da pandemia na Europa, Costa destaca que Portugal é um país "melhor preparado" para a segunda vaga. "Temos de ter cada vez maior responsabilidade individual", refere o líder do Governo português.

Os dois países também falaram sobre as deslocações rodoviárias e ferroviárias. Pela estrada, já estão preparadas cinco obras para "desencravar Portugal e Espanha", como a ligação entre Bragança-Puebla de Sanabria; Monfortinho-Moraleja; Vilar Formoso-Puentes de Oñoro; Nisa-Cedillo; e ainda Alcoutim-Sanlucar de Guadiana.

E numa altura em que Portugal e Espanha querem estar mais juntos do que nunca, os progressos na ferrovia são ainda nulos. Desde 17 de março que não há comboios noturnos entre Portugal e Espanha - com direito a protestos dos trabalhadores no arranque da cimeira. Tão depressa não será resolvida esta questão, a julgar pela declaração conjunta da cimeira, sem referências ao Lusitânia Comboio Hotel e ao Sud Expresso.

Sobre a alta velocidade, António Costa apenas diz que "seguramente, um dia, Portugal não continuará separado" desta rede ibérica. Só que a discussão será feita "em tempo próprio", depois de terminarem, no final de 2023, as obras do programa de investimento Ferrovia 2020. Em Espanha, pelo contrário, continua o desenvolvimento destes comboios, com novas ligações na Galiza e na Estremadura, Badajoz incluída.

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