Pandemia dá empurrão à poupança em certificados do Estado

Portugueses aplicaram 347 milhões de euros em certificados em 2020. O endividamento também continua a aumentar.

Em tempos de pandemia, os portugueses voltaram a apaixonar-se pelos certificados estatais, num sinal de que se preparam para tempos mais difíceis. No caso dos certificados de aforro, o montante aplicado neste instrumento de poupança até agosto subiu para máximos de, pelo menos, 2016. Já os certificados do Tesouro situam-se em níveis recorde.

Os portugueses aplicaram, só em agosto, 128 milhões de euros nestes dois tipos de títulos estatais. Os certificados de aforro captaram 17 milhões de euros e subiram para o montante total de 12 165 milhões de euros. No caso dos certificados do Tesouro, atraíram 111 milhões de euros em poupanças das famílias, fixando-se em 17 251 milhões de euros. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (21 de setembro) no Boletim Estatístico do Banco de Portugal. No total, desde o início do ano, os portugueses já investiram 347 milhões de euros nestes dois instrumentos de poupança.

Também a taxa de poupança das famílias portuguesas tem vindo a subir. No primeiro trimestre, era de 7,4%, o que representa uma subida em relação aos 6,8% registados no final de 2019. Mas a taxa de poupança dos portuguesas corresponde a apenas cerca de metade da média dos países da zona euro, que se situava em 14,1% no final de março deste ano, comparando com 13,2% em dezembro de 2019.

Endividamento próximo de recorde

Em contraste, o endividamento também aumentou. Segundo os dados do Banco de Portugal, relativos a julho, no caso dos particulares, o seu endividamento perante o setor financeiro cresceu 200 milhões de euros. No total, o endividamento da economia aumentou em 4,6 mil milhões de euros em julho, para 740 mil milhões. Trata-se de um valor próximo do montante recorde registado em maio deste ano.

Portugal vive uma das maiores crises económicas de sempre. As medidas que têm sido adotadas pelo Governo no âmbito da epidemia do novo coronavírus levaram ao encerramento de empresas e fizeram disparar o desemprego. O executivo afasta um novo confinamento forçado da população, mas a Direção-Geral da Saúde quer mais medidas restritivas impostas à população, incluindo obrigar ao uso de máscara facil na rua.

Elisabete Tavares é jornalista do Dinheiro Vivo

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG