Havia menos médicos em dezembro do que no início da pandemia

O setor da saúde foi o que mais contribuiu para o aumento do número de funcionários públicos no ano passado, sobretudo enfermeiros e auxiliares. Número de trabalhadores do Estado teve o maior aumento desde 2015.

Em dezembro do ano passado, estavam no setor público mais de 31 mil médicos. O valor é mais elevado do que um ano antes, mas mais baixo do que no final de março quando a pandemia começou a disseminar-se em Portugal, indicam os dados da Direção-geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).

No final do primeiro trimestre do ano (janeiro a março) existiam 31 898 clínicos, mas no fecho do ano eram 31 098, ou seja, menos 800 médicos, correspondendo a uma queda de 2,5%.

O primeiro caso de covid-19 foi diagnosticado no dia 02 de março do ano passado - um médico português regressado de Itália e internado num hospital do Norte do país. Apenas 16 dias depois foi decretado o primeiro estado de emergência.

O investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS), incluindo a contratação de médicos, tem sido um dos temas de maior confrontação entre o Governo e o Bloco de Esquerda, com o ministro das Finanças a garantir mais clínicos para o SNS.

Já em relação aos enfermeiros e auxiliares o aumento foi bastante expressivo, seja em comparação com o final de 2019, seja com o primeiro trimestre do ano passado.

Comparando com março, o número de enfermeiros aumentou 6% no final de dezembro, correspondendo a mais 2921 profissionais do que no início da crise sanitária. Comparando com o período homólogo de 2019, o acréscimo é de 6,7%, ou seja, 3295 enfermeiros.

No final do ano passado também o número de técnicos de diagnóstico e terapêutica e os técnicos superior de saúde tinha subido face ao primeiro trimestre e ao final de 2019.

Em termos de perdas, foi na categoria das forças de segurança que se verificou a maior queda homóloga nominal, com menos 1061 profissionais, correspondendo a uma queda de 2,1%.

Quase mais 20 mil

No conjunto das administrações públicas - que inclui as autarquias -, 2020 terminou com mais 19 792 de funcionários no Estado.

"Em termos homólogos, o emprego aumentou 2,8%, distribuído essencialmente entre a administração central (3,4%, correspondente a mais 17 677 postos de trabalho) e a administração local (1,2%, correspondente a mais 1 474 postos de trabalho)", explica a nota da DGAEP.

"Na administração central, o aumento de emprego verificou-se essencialmente nas Entidades Públicas Empresariais do SNS (7114) e nos estabelecimentos de educação e ensino básico e secundário (6313)", explica a Direção-geral, acrescentando que "entre as carreiras que mais contribuíram para esse aumento salientam-se, nas EPE do SNS, as carreiras de enfermeiro (2736), de assistente operacional (2696) e de técnico de diagnóstico e terapêutica (639) e nos estabelecimentos de educação e ensino básico e superior, os educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário (4056), bem como os assistentes operacionais (1707)", detalha.

Paulo Ribeiro Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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