Gestora do código de barras alerta para mudanças no consumo por efeito da guerra

Diretor executivo da GS1 Portugal diz não existirem indicadores de que o abastecimento venha a ser interrompido no país

O diretor executivo da GS1 Portugal, empresa que introduziu e gere os códigos de barras no nosso país, admite que possam vir a ocorrer mudanças na forma como se consome, por efeito da guerra na Ucrânia e do contexto de incerteza a ela associado.

João de Castro Guimarães acredita que possa haver um reforço da poupança e também uma menor procura de bens não essenciais, por parte de quem compra. "Mas estamos a operar ainda no domínio da probabilidade - o conflito foi inesperado, é avassaladoramente devastador, mas recente para permitir projeções", acautela.
Lembrando os cenários de compras compulsivas no início da pandemia, quando não chegou a existir défice de produtos alimentares, espera que os consumidores mantenham a confiança nas cadeias de abastecimento e cooperem, não comprando sem necessidade, sob pena de se gerar "um impacto disruptivo desnecessário".

Diversificar fornecedores

No entanto, através dos dados que as empresas associadas lhe fornecem, João de Castro Guimarães reconhece que tudo aponta para uma "escassez previsível de matérias-primas essenciais e para o aumento do preço de fatores de produção essenciais, nomeadamente, o custo da energia e dos combustíveis fósseis", assumindo que, "na nossa região, estes perspetivam-se como os principais fatores críticos para o consumidor, com um previsível impacto no preço dos produtos".

Na opinião do dirigente, é possível antever "um forte impacto na disponibilidade e, consequentemente, no preço das matérias-primas, da energia, de alguns minerais e produtos químicos". E, embora os dados que a GS1 Portugal dispõe ofereçam garantias da manutenção do abastecimento, deverá imperar a possibilidade para recorrer "a novos países de origem e fornecedores nas matérias-primas onde essa alteração é possível", frisa o responsável.

De forma a mitigar os impactos, em especial no consumidor, João de Castro Guimarães, explica que, para já, é de manter o que se está a fazer, ou seja, encontrar novos fornecedores para os produtos de consumo essenciais (cereais e oleaginosas, por exemplo). Depois, "importa redefinir as rotas e canais de abastecimento, celebrar novas parcerias, garantir que a qualidade e rastreabilidade do abastecimento se mantém", um trabalho que os operadores estão a fazer e que o diretor-executivo da GS1 Portugal apelida de "esforço hercúleo, de todos os operadores da cadeia de valor, para garantir que ao consumidor final nada faltará".

E, embora Portugal seja fortemente dependente de petróleo, gás natural e carvão estrangeiros, não deverá sentir um impacto direto, uma vez que, e tal como João de Castro Guimarães explica, "Portugal é menos dependente da Rússia do que outros Estados da Europa, em matéria energética, o que, em princípio, nos deixa numa situação menos crítica no imediato".

"Produção, logística e distribuição voltam a estar sob uma pressão sem precedentes e inesperada", o que implica que toda a cadeia de abastecimento tenha de se "reinventar" e "procurar fluxos alternativos", defende o gestor.

monica.costa@dinheirovivo.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG