Fazer compras online é uma opção que veio para ficar

Dados das empresas de entregas a operar em Portugal confirmam o crescimento do volume de transações através de internet. De acordo com a Marktest, mais de 5,2 milhões de portugueses já se renderam à nova forma de ir às compras.

Já são mais de 5,2 milhões os portugueses que compram online. Um número que cresceu 4,2% face a 2021, de acordo com o Barómetro E-Commerce da Marktest. Ou seja, 60% do universo de consumidores aderiram às compras através da internet, uma tendência de crescimento transversal a todas as idades e que corrobora os números apurados pelas empresas que asseguram as entregas físicas das encomendas.

Como refere ao DN/Dinheiro Vivo, Nuno Álvares Pereira, diretor de Mkt&Sales da DHL Express Portugal, no primeiro semestre de 2022, a distribuidora registou um crescimento de 24% no valor do negócio das entregas internacionais feitas a consumidores portugueses, face à média dos anos de 2020 e 2021. "Nos primeiros seis meses de 2022, registámos também um aumento de 2% em volume de entregas internacionais feitas a esses mesmos consumidores portugueses", avançou o responsável.

Nuno Álvares Pereira acrescentou que a DHL portuguesa aferiu no primeiro semestre deste ano um crescimento de 32% no valor do negócio, no que toca às compras internacionais realizadas em lojas online portuguesas, face à média dos anos de 2020 e 2021. Quanto às áreas com maior volume de entregas, a DHL assinala os setores da moda (roupa, calçado e cosmética), dos bens de consumo rápido e tecnologia.

Também a Glovo - embora não refira dados concretos - afirma que, no primeiro semestre deste ano, o seu crescimento situa-se na casa dos dois dígitos em termos de percentagem na maior parte das áreas, com exceção do Glovo Express cujo crescimento está na casa dos três dígitos.

Joaquín Vázquez, general manager da Glovo em Portugal, declara que negócio da empresa em território nacional continua a crescer todos os meses, em todas as áreas de consumo, mesmo após a pandemia. "Este é um hábito de consumo que ficou. A realidade é que o crescimento mensal que verificamos deve-se tanto aos utilizadores habituais da app que vão aumentando o seu consumo, como também a novos utilizadores que experimentam e repetem a experiência", garante, explicando que a área líder é a de restauração.

"No entanto a área de Q-commerce (comércio eletrónico) em Portugal, com todas as suas vertentes (mercearias, lojas, saúde e bem-estar e Glovo Express) tem uma das penetrações mais altas em todos os países onde a Glovo opera, e continua a crescer todos os meses."

Ainda que as entregas dos CTT tenham sido penalizadas no primeiro trimestre do corrente ano, no segundo trimestre, as entregas de Expresso e Encomendas dos CTT recuperaram a trajetória de crescimento do tráfego por dia útil em 3,5%, afirmou João Sousa, administrador executivo dos CTT.

Apesar da desaceleração de compras online após a reabertura do retalho, o gestor admite que atualmente existem indícios claros de que o hábito de comprar online aumentou. "A pandemia acrescentou cerca de mais 20% de novos consumidores às compras online em Portugal", ressalvou, indicando que os setores mais relevantes em termos de entrega são vestuário e calçado, eletrónica e computadores, cosmética e beleza, livros, utensílios de casa, desporto e telemóveis. Também as entregas de comida e refeições assumiram, de acordo com João Sousa, relevância com a pandemia e vieram para ficar.

Uma relevância confirmada pela Uber que, apesar de não revelar dados individuais, garante estar a assistir "a um crescimento acelerado do mercado de entrega de refeições globalmente, uma tendência que foi verificada também no mercado português".
No geral, o valor das entregas do Uber Eats subiu 15% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o período homólogo. No segundo trimestre voltou a subir, 12% face ao mesmo período de 2021, para os 13,9 mil milhões de dólares. Os anos de pandemia aceleraram a digitalização e a restauração e o retalho não foram exceções.

Atualmente, o "Uber Eats já faz parte do dia-a-dia dos portugueses e somos inclusivamente mais do que uma aplicação de entrega de refeições nas mais de 90 cidades nacionais onde chegámos nos nossos quatro anos de atividade em Portugal", refere a empresa. Como não podia deixar de ser, a entrega de comida continua a gerar o maior volume de entregas, mas os segmentos das compras de supermercado, lojas de conveniência, artigos culturais, bem-estar, beleza, floristas, saúde e retalho em geral estão a crescer a um ritmo de 250% ao ano, globalmente (final de 2021).

Mónica Costa é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG