Crash no barril de petróleo americano. Já vale menos de zero

Quebra do consumo por via da pandemia de covid-19 e excesso de oferta no mercado fazem cair o preço do barril americano em valores recorde. A marca histórica chegou a 37 dólares negativos.

O preço do barril de petróleo americano, com a referência dos contratos para entrega em maio, está a cair mais de 100%, nesta segunda-feira, tendo atingido mesmo um valor negativo de menos 37,63 dólares na bolsa de Nova Iorque (andar abaixo dos dólares é um registo inédito), em resultado da retração da procura, devido à pandemia de covid-19, e dos elevados níveis de stocks no mercados.

Foi um dia em que os valores do barril foram descendo, até culminar em valores negativos.

Pelas 11:25 (hora de Lisboa), os contratos futuros de West Texas Intermediate (WTI), para entrega em maio, que vence amanhã, cedia 32,30% para 12,41 dólares, o nível mais baixo desde 1999. Duas horas depois, a quebra era já de 40,45% para 10,88 dólares o barril, o valor mais baixo desde o segundo trimestre de 1986. E às 16h57, a quebra era já de 72% para 4,04 dólares o barril atingindo pouco depois mais 90% de caída.

Quando um contrato futuro expira, como acontece amanhã com o contrato WTI para entrega em maio, os traders decidem se aceitam a entrega ou rolam as suas posições para um contrato futuro. Um processo habitualmente simples. Mas o declínio de preços do contrato de maio mostra a preocupação extrema dos investidores com o excesso de oferta no mercado.

A situação já fez "vítimas", com a Hin Leong Trading, a maior trader de petróleo de Singapura, a declarar falência depois de perder 800 milhões de dólares em negociações de futuros. E um grande fundo de investimento norte-americano anunciou que mudará cerca de 20% da sua posição para os futuros de julho, levando à venda de contratos com vencimentos anteriores (maio e junho).

Números que mostram que o acorde da OPEP+ para o corte de 9,7 milhões de barris de petróleo por dia, no domingo de Páscoa, chegou já demasiado tarde para resgatar os contratos de futuros de maio. A questão é que, acreditam os analistas, o corte, apesar de histórico, poderá, também, não ser suficiente para o contrato de junho - cerca da 17h00 (hora de Lisboa), o barril de petróleo era negociado nos 22,26 dólares, uma quebra de 11% -, atendendo a que as previsões apontam para uma quebra da procura três vezes superior, ou seja, na ordem dos 30 milhões de barris de petróleo por dia, em consequência da pandemia de covid-19.

A queda de preço no WTI "é, certamente, épica em escala e resulta, "em grande parte um caso de nervosismo antes do contrato futuro do WTI de maio de 2020 expirar amanhã e os temores relativos à falta de armazenamento finalmente se materializarem", diz Louise Dickson, analista de mercado de petróleo da Rystad Energy.

*notícia atualizada às 19h48 com dados atualizados das cotações

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