A pandemia e as multinacionais: quem ganhou e quem perdeu?

A pandemia de coronavírus que colocou o mundo em recessão não está a afetar todas as empresas multinacionais da mesma forma, de acordo com um estudo do banco italiano Mediobanca.

Embora a maioria esteja a perder receita, há também que tenha retirado grandes proveitos desta crise provocada pela pandemia de covid-19. O estudo publicado esta quinta-feira é baseado nos resultados financeiros dos primeiros nove meses de 2020 de mais de 160 empresas com mais de 3 mil milhões de euros em receitas anuais. Em média, as empresas viram as suas vendas caírem 4,3%.

Os vencedores

Internet

O estudo concluiu que as empresas de internet foram as maiores vencedoras. As vendas para o setor - das quais os gigantes do comércio online, incluindo a Amazon respondem por cerca de um terço - aumentaram 18,4% e o lucro líquido 21,8%. "Os gigantes da web mostraram mais uma vez sua capacidade de inovação e flexibilidade durante a crise" ao saber "lucrar com as medidas de confinamento adotadas pelos governos" para travar a disseminação do coronavírus, bem como aproveitando a "mudança de hábitos de consumo", diz o grupo Mediobanca . Os serviços de entrega de alimentos tiveram um boom, com as vendas a subir 47 por cento. A venda de jogos de vídeo aumentou 40% e o comércio online cresceu 33%. Por outro lado, a venda de viagens online caiu 52%.

Retalho

As grandes companhias de retalho viram as suas receitas aumentarem 8,8% e o lucro líquido 19,2%. Muitos negócios estão a investir nas vendas online, que dispararam 80%. "Os retalhistas de alimentos que não foram afetados pelas medidas de confinamento beneficiaram das restrições impostas aos restaurantes, do crescimento do teletrabalho e da propensão dos consumidores em armazenar produtos", diz o banco. Os consumidores estão constantemente a mudar o seu comportamento, acrescentaram os especialistas. O valor da compra média está a aumentar, mas os consumidores estão a comprar com menos frequência. Além disso, o estudo nota um aumento na preferência por comércio local, bem como lojas de descontos e pequenas mercearias em comparação com os grandes supermercados. Os serviços de clicar e coletar, bem como a entrega em casa, estão a crescer, assim como as novas formas de pagamento (por exemplo, através de telemóvel).

Tecnologia

Outro vencedor é o setor de IT, que ganhou com o facto de a pandemia ter levado as empresas a acelerar uma mudança em direção às operações digitais e à computação em nuvem. A Inteligência Artificial e as comunicações móveis 5G também receberam um impulso. No geral, o setor viu as vendas aumentarem 5,7% e os lucros líquidos subirem 11,6%.

Empate

Farmacêuticas

Mesmo que o lucro líquido tenha caído 10,1%, o setor farmacêutico conseguiu um aumento de 3,1% nas vendas. A primeira onda da pandemia forçou muitos hospitais a cancelar alguns tratamentos, o que empurrou as vendas de medicamentos para o vermelho. As empresas que conseguirem lançar com sucesso uma vacina contra a covid-19 no mercado podem ter grandes aumentos nas vendas.

Os derrotados

Setor da energia

As empresas de energia foram prejudicadas devido à queda nos preços do petróleo e na demanda por energia, com as receitas a cair na ordem dos 32,3%. Muitas registaram perdas líquidas. Embora a recuperação dos preços do petróleo tenha ajudado no terceiro trimestre, o Mediobanca diz que é difícil prever como será 2021 para o setor.

Transportes

Os fabricantes do setor de transportes também sofreram. Com o fecho de concessionários de automóveis em muitos países, os fabricantes de carros viram as vendas caírem 17,4% e o lucro líquido 66%. Os fabricantes de aviões, que são pagos na entrega das aeronaves, viram as receitas baixar 30% e registaram perdas.

Moda

"2020 parece que será o ano mais difícil para a indústria da moda", diz o Mediobanca. O fecho de lojas prejudicou a indústria, assim como a queda no turismo - as compras feitas por turistas eram uma importante fatia do negócio das marcas de luxo. As receitas caíram 21,3 por cento, apesar do aumento de dois dígitos nas vendas online, empurrando as empresas para o vermelho. Houve uma melhoria no terceiro trimestre, graças a alguma retoma do mercado chinês. "2021 provavelmente será um ano de crescimento, mesmo que o retorno aos níveis de vendas anteriores à crise não aconteça até 2022 para muitas empresas", conclui o Mediobanca.

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