Varandas no NYT. "Ei, você não é o presidente do Sporting? Posso tirar uma selfie?"

Líder leonino é médico e foi requisitado pelo Exército durante o Estado de Emergência para dar assistência aos militares no combate à pandemia. O que fez durante seis semanas, 12 horas por dia. E contou numa reportagem do diário norte-americano The New York Times.

"Olhe, o senhor desculpe, mas não é presidente de um clube de futebol?" Esta foi uma das muitas abordagens dos doentes que foram tratados pelo presidente no Sporting no Hospital Militar. Médico de profissão, Frederico Varandas foi requisitado pelo Exército durante o Estado de Emergência para ajudar no combate à pandemia. "No Hospital Militar, quando o médico entrou em serviço na pandemia de coronavírus, enfrentou pacientes com febre e tosse e ajudou a alinhar todos os seus cuidados. Alguns deles, no entanto, tinham uma pergunta curiosa. "Só de olhar nos meus olhos, eles diziam: "Ei, você não é o presidente do Sporting? Posso tirar uma selfie?'", escreve o The New York Times, numa reportagem publicada este sábado, onde também é recordado o passado militar de Varandas, com algumas missões no Afeganistão.

Durante seis semanas o líder leonino fez turnos de 12 horas, para cuidar de militares e também das suas famílias. Tinha "como principal tarefa testar e avaliar pacientes quando chegavam antes de entregar os casos mais graves à equipa da unidade de cuidados intensivos". Tudo isto mudando de equipamento de proteção e desinfetando-se entre cada uma das consultas.

"Foi uma experiência inesquecível. É incrível ver que tudo simplesmente parou, é algo que nunca conseguiria imaginar que pudesse acontecer por uma coisa que parece tão benigna e que pode causar um dano incrível", resumiu Varandas, lembrando: "Como o desporto parou em Portugal pensei que era mais importante para o país a trabalhar como médico."

Sobre o regresso do futebol e os eventuais perigos, não tem dúvidas: "Os futebolistas são mais testados do que médicos que trabalham em hospitais. Para mim é uma coisa estúpida, é política. Percebo que seja assim pela parte política, mas cientificamente é ridículo." O Sporting já voltou aos treinos de grupos e já testou toda a estrutura do fitebol, equipa técnica e plantel por duas vezes.

Ao The New York Times, o presidente do Sporting falou ainda de futebol. "O futebol em Portugal é uma loucura, é como uma religião, é uma doença", acrescentou, recordando os debates entre os seis (esqueceu-se de um, foram sete) candidatos nas eleições leoninas, que o elegeram em 2018. "Continuei a controlar as coisas porque o futebol parou, mas o clube continuou. Não foi fácil ao longo de mês e meio estar a trabalhar no hospital e a gerir o clube", admitiu, recordando os cortes que foram feitos no clube e na SAD, com o clube a entrar em lay-off.

Os efeitos financeiros da pandemia apoquentam o presidente leonino. "Neste fase, às vezes vou para a cama e imagino como seria se tentássemos vender agora o Bruno Fernandes [vendido ao United, por 55 milhões de euros mais bónus] Que preço seria? Dez, 15 milhões? Deixei de ter noção de qual é o valor de um jogador nesta altura e Sporting, FC Porto, Benfica, todos os clubes em Portugal têm de vender jogadores", interrogou-se Frederico Varandas.

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