Presidente do Marítimo acusa Benfica, FC Porto e Sporting de "traição"

Carlos Pereira avisa que os três grandes e os presidentes da Liga e da Federação não foram mandatados para falar com o primeiro-ministro. Contesta as restrições e diz que o futebol está a ser tratado como "uma anormalidade"

Carlos Pereira, presidente do Marítimo, acusou esta sexta-feira de "traição" os presidentes de Benfica, FC Porto e Sporting, bem como os líderes máximos da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes por terem ido "negociar" um plano de regresso das competições com o primeiro-ministro António Costa.

"Não mandatámos nenhum daqueles senhores para negociar um plano com o senhor primeiro-ministro. Mandatámos para falar com o primeiro-ministro sobre outras coisas e, sobretudo, para saber se havia ou não condições para podermos começar a tomar decisões. Acho que é uma traição aos clubes por aqueles cinco que lá foram em relação ao plano maquiavélico que estava a ser preparado, não sei por quem, mas são todos cúmplices", acusou Carlos Pereira em declarações à agência Lusa.

O presidente do Marítimo manifestou ainda estranheza relativamente à diferença de tratamento dado ao futebol em relação a outras atividades. "Porque é que só o futebol vai ser tratado como se fosse uma anormalidade? Não consigo perceber. Penso que o primeiro-ministro foi induzido em erro. Sem a II Liga, ainda aumenta mais a concentração de pessoas, que não vão estar nos estádios, em bares, restaurantes e casas particulares. Se estamos a desagravar de um lado, estamos a agravar do outro. Isto tem de ser bem pensado e o futebol não fica nada a ganhar com isto", referiu, acrescentando que a Direção-Geral da Saúde pode e deve intervir e que espera uma explicação de Pedro Proença, presidente da LPFP, na reunião de presidentes dos clubes marcada para esta sexta-feira.

Carlos Pereira lembrou "sempre ter defendido a saúde em primeiro lugar" e assume que se o futebol é para regressar, deveria ser nos moldes originais, com "solidariedade" da parte dos clubes caso um estádio não esteja em condições para receber um ou outro jogo.

O Santa Clara já admitiu jogar o que resta do campeonato fora no continente, algo que Carlos Pereira contesta. "Em 24 horas em que uma equipa chega à Madeira ou aos Açores e que fica confinada aeroporto-hotel-jogo-aeroporto, estava muito mais salvaguardada, mas quem sou eu para interferir na vida do Santa Clara e do meu amigo Rui Cordeiro. Ele terá as suas razões e nós as nossas. Temos o estádio em belíssimas condições. Pode ser que o Santa Clara não tenha e seja obrigado a isso", sublinhou.

Na prática, Carlos Pereira não não compreende as "restrições impostas" de o Marítimo jogar fora da Madeira, mas ainda assim saúda o regresso da I Liga "porque o senhor primeiro-ministro disse que voltaria quase à normalidade em junho". "Ora, se nós voltamos à normalidade, não consigo entender o porquê das restrições que estão a ser impostas", sublinhou.

De acordo com António Costa, a I Liga estará de regresso no fim de semana de 30 e 31 de maio, após ter sido suspensa em 12 de março, devido à pandemia de covid-19, com 10 jornadas por disputar. Ainda assim, está dependente do aval da Direção Geral da Saúde.

Quanto ao Marítimo, regressa ao trabalho na segunda-feira, sempre "salvaguardando a saúde pública, a dos jogadores e dos seus familiares", finalizou Carlos Pereira.

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