Bruno de Carvalho mentiu em tribunal? Jesus, Fernando Mendes e jornalistas desmentem versão do ex-presidente

Técnico garante que foi Bruno a mudar a hora do treino, enquanto o ex-líder da Juve Leo nega ter feito "cinco ou seus telefonemas" para ex-presidente. Já os jornalistas negam que o portão da Academia estivesse aberto a pedido dos próprios.

Depois de a RTP ter tornado público o depoimento em tribunal de Bruno de Carvalho, detido, na sequência da invasão à Academia, em Alcochete no dia 15 de maio, que terminou com as agressões a jogadores a treinadores, a versão do ex-presidente já foi colocada em causa por, pelo menos, três pessoas/entidades. Jorge Jesus, Fernando Mendes (ex-líder da Juve Leo) e os jornalistas.

Comecemos por Jorge Jesus e a hora do treino. Questionado sobre a mudança do início da sessão (era para ser quarta feira às 10:00 e passou para terça-feira às 17:00), Bruno de Carvalho disse perante o juiz que tinha sido o treinador a mudar a hora da sessão. No entanto, em declarações ao CM, o técnico do Al Hilal (Arábia Saudita) desmentiu-o: "Não, quem mudou foi ele [Bruno de Carvalho]. Agora não sei se foi com intenção de alguma coisa..."

Na opinião de Jesus, o ex-líder leonino adiou o treino porque precisava de mais tempo para ter a nota de culpa pronta com vista ao despedimento da equipa técnica antes da mesma acontecer. "Bruno de Carvalho mentiu em tribunal. O treino foi alterado das dez da manhã para as quatro da tarde, porque ele disse que precisava de tempo para que fosse criada a nota de culpa para suspender a equipa técnica", assegura o técnico, que ainda vai depor em tribunal sobre os acontecimentos do dia 15 de maio.

Ainda perante o juiz, o ex-presidente do Sporting disse que o técnico "deve ter levado uma vergastada muito levezinha". "Fui agredido outra vez e estava lá muita gente, incluindo jogadores que viram (...) Eu virei-me a alguns adeptos e disse que aquilo em Alcochete era uma traição ao Sporting. Logo a seguir levei um soco que me fez cair", lembrou Jesus.

Fernando Mendes e as conversas para ir lá dar nas orelhas aos jogadores...

Acusado de ser o mandante do ataque da Academia, Bruno de Carvalho negou em tribunal ter ordenado tal coisa, fosse a Mustafá (líder da Juve Leo) fosse a Fernando Mendes (ex-líder da Juve Leo). Algo que Mendes desmente em entrevista ao Diário de Notícias: "Ele [Bruno de Carvalho] disse para apertar com eles [jogadores], dar-lhes um puxão de orelhas".

E mais, segundo o ex-líder da Juve Leo, foi mesmo o ex-presidente a mudar a hora do treino: "Tenho pensado com os meus botões se ele não alterou a data do treino com base nessa conversa [admite que ligou ao ex-presidente apenas uma vez] mudou-o para terça-feira porque sabia que eu lá ia e calculou que atrás de mim fosse mais gente."

Segundo Bruno de Carvalho, e sem justificar como um ex-elemento da claque tinha o seu número direto, Fernando Mendes ligou-lhe "alterado" e talvez "embriagado", "umas cinco ou seis vezes". Ora, na versão de Mendes, ele ligou ao presidente, no domingo, para "lhe dar conhecimento de que tinha ido ao aeroporto falar com o Jorge Jesus e a chamada teve a duração de um minuto". E garante que depois, foi o ex-líder leonino a ligar-lhe a ele:"Os dados da minha operadora mostram que de 4 a 30 de maio há somente uma chamada de mim para o Bruno de Carvalho. Que é essa. Depois, ligou-me ele, umas cinco ou seis vezes já na madrugada de domingo para segunda-feira. Atendi uma das chamadas e estivemos mais de uma hora ao telefone."

Os jornalistas também desmentem a versão do ex-líder. Ainda segundo o depoimento de Bruno de Carvalho ao juiz Carlos Delca e a justificação para o portão da Academia estar aberto. Disse o ex-presidente que o mesmo se encontrava aberto "a pedido dos senhores jornalistas": "O portão não é fechado porque os senhores jornalistas pediram por amor de Deus ao senhor para não o fechar para eles passarem para dentro. Moral da história: quando o senhor queria fechar, já não dava para fechar."

Algo que o grupo de profissionais da Comunicação Social presente na Academia nesse dia desmentiu em comunicado."Em momento algum foi manifestado qualquer pedido com vista a que o portão das instalações não fosse encerrado, o qual de resto já se encontrava aberto antes do incidente, tendo somente alguns dos jornalistas/profissionais em causa - em particular das televisões e pela sua exposição - decidido "abrigar-se" junto da entrada do lado de dentro assim que se aperceberam da ameaça iminente", pode ler-se na missiva enviadas às redações.

Entre os 44 arguidos do processo do ataque à academia de Alcochete estão o antigo presidente do clube de Alvalade, Bruno de Carvalho, e Mustafá, líder da Juve Leo, que estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados.

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