De traficante e viciado a jogador revelação do Brasileirão e alvo do Sporting

Michael joga no Goiás e foi eleito o jogador revelação do Brasileirão. Já foi colocado na rota de Alvalade.

Michael foi traficante, viciado em álcool e drogas e teve a vida em risco, mas conseguir libertar-se de uma vida de crime e vícios graças ao futebol e "com a ajuda de Deus". Nesta segunda-feira foi eleito o jogador revelação do Brasileirão 2019, ganho pelo Flamengo de Jorge Jesus. "Eu sou um milagre", disse o jogador à TV Goiás, canal oficial do clube. A frase, por sinal, é a que mais repete em entrevistas.

De baixa estatura (1,66 metros) e chamado de peladeiro (alguém que joga muita pelada - futebol na rua), foi sendo reprovado conforme ia fazendo testes em clubes. As reprovações constantes levaram-no a cair numa vida de consumo de droga, primeiro, e tráfico depois. Com o passar do tempo, canábis, cocaína e álcool faziam parte do dia-a-dia de Michael.

E como não tinha dinheiro para pagar o que consumia, acabou a traficar para pagar esse vício. Por mais de uma vez foi a apanhado no meio de guerras de tráfico e quase perdeu a vida. "Tentaram-me matar seis vezes. Eu era muito brigão. Acabei vendendo droga, acabei fumando e acabei roubando. Fiz muitas coisas e não tenho orgulho. Não tenho orgulho, não. Mas foram coisas que aconteceram na minha vida e eu peço perdão", disse o jogador numa reportagem à Rádio Sagres 730.

Aos 16 anos, quando trocou Poxoréu, interior do Mato Grosso, por Goiânia, fumava 40 cigarros por dia e bebia 18 a 20 latas de cerveja e doses de cachaça: "Eu fumava e bebia por vício. Não era para amenizar nada. Era tomado pelo diabo. Era sem-vergonhice, safadeza mesmo. Entrei nas drogas por isso. Meu pai sempre trabalhou e me deu tudo que podia, não o que eu queria. Eu entrei por vagabundagem, safadeza. Eu não precisava, mas a maioria das pessoas não precisa. Faz por vagabundagem mesmo. Eu, hoje, dou valor ao meu pai e à minha mãe. Errei, mas o importante é tomar uma atitude e parar."

Mas em 2016 as coisas mudaram:"Na sexta vez que me tentaram matar, Deus disse-me que já chegava. Fui para a igreja, falei com Deus, e pensei que se Ele fosse bom, teria misericórdia de mim."

Olhando para trás, Michael não gosta do que vê, mas também não tenta camuflar a realidade vivida. "Fui um merda, um lixo. Mas Jesus jogou o lixo fora. Hoje tem clubes grandes interessados em mim. Eu não quero sair do Goiás, mas fico feliz porque eu não era nada e sou alguém. As pessoas falavam que eu com 22 anos, eu ia morrer, que eu não ia viver a velhice. Hoje, com 23 anos, sustento a minha vida. Isso é gratificante. Choro todos os dias. Vejo a minha história sempre antes de entrar em campo. Olho no espelho e falo que nada neste jogo vai ser mais difícil do que foi na minha vida", confidenciou o jogador, agora evangélico, que trocou os antigos hábitos pela "mania do café".

Há um mês Michael já foi colocado na rota do Sporting. O jogador marcou 16 golos em 54 jogos nesta época, tem contrato com o Goiás até 2021 e tem o Corinthians interessado, além dos leões.

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