Comité Olímpico de Portugal recusa "colocar a saúde e as vidas dos atletas em causa"

Organismo português liderado por José Manuel Constantino escreveu carta ao Comité Internacional a pedir adiamento dos Jogos Olímpicos, agendados para 24 de julho até 9 de agosto.

O Comité Olímpico de Portugal (COP) pediu firmeza e rapidez no anúncio de uma solução de adiamento dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. Numa carta enviada esta segunda-feira ao presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, o COP apela a uma decisão "firme" e que "rapidamente possa anunciar ao mundo uma solução de adiamento que tranquilize os atletas e as organizações desportivas", para que os Jogos se realizem "em paz e segurança para todos", apesar da pandemia da covid-19.

Os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 estão agendados para 24 de julho a 9 de agosto, sendo que nesta segunda-feira, pela primeira vez, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, admitiu que "poderá ser inevitável" adiar a competição, um dia depois de o COI ter prometido uma decisão em quatro semanas, excluindo um eventual cancelamento. Após reuniões com as federações internacionais, o COI pediu aos atletas para continuarem a preparar os Jogos. No entanto é cada vez mais difícil, visto que há muitos países onde as infraestruturas desportivas estão fechadas. Em Portugal, por exemplo, há 114 atletas do Programa Olímpico em quarentena.

No entanto, o COP defende que esta solicitação "comporta um risco elevado e envolve uma inequívoca pressão sobre os atletas, num momento em que as orientações generalizadas das autoridades de saúde mundiais insistem para a importância das pessoas ficarem em casa, resultando assim no fecho de todos os centros de treino."

"Hoje, mais do que nunca na nossa história recente, impõem-se decisões firmes", sublinha a estrutura olímpica nacional, rejeitando "colocar a saúde e as vidas dos atletas em causa", numa luta que deve ser travada por todos, unidos e no mesmo sentido.

O COP reconheceu ter conseguido um regime de exceção para os atletas de alta competição continuarem a treinar, apesar do estado de emergência do país, mas que não é fácil cumprir: "o acesso aos centros de treino, ainda que permitido, na prática, não se torna fácil, devido à multiplicidade de entidades gestoras destes espaços, quer municípios, quer privados, que não têm condições para assegurar esse funcionamento sem pôr em risco os seus colaboradores".

O organismo liderado por José Manuel Constantino assinalou ainda as desigualdades proporcionadas a cada uma das modalidades. "Há modalidades desportivas que, por força das suas condições de treino, envolvem elevados níveis de exposição ao risco, não sendo possível encontrar soluções de treino em segurança, de acordo com as orientações das autoridades de saúde, o que acentua ainda mais os desequilíbrios competitivos e de preparação de atletas gerados por esta situação sem precedentes", remata.

O presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, defendeu na quinta-feira (dia 19) em entrevista à Lusa, que os Jogos Olímpicos fossem adiados para 2021. "Não tenho elementos que me permitam avaliar se a posição do COI é sustentável ou não. Está a ser assessorado pela Organização Mundial da Saúde e parto do princípio que quem está a monitorizar informa o COI do quadro à data previsível do início dos Jogos", explicou.

A pandemia de covid-19, já infetou mais de 341 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15100 morreram. Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia. Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Em Portugal, há 23 mortes e 2060 infeções confirmadas. O país está em estado de emergência desde as 00.00 de quinta-feira (dia 19) e até às 23.59 de 2 de abril.

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