Polícia identificou adeptos que entoaram cânticos racistas a Marega

A PSP está a trabalhar com o Ministério Público de Guimarães - onde o processo criminal está a decorrer - e é lá que tem estado a visionar as imagens de videovigilância do jogo e a recolher testemunhos.

A Polícia de Segurança Pública já identificou "alguns adeptos" que terão dirigido insultos racistas ao jogador Moussa Marega durante o jogo de domingo, entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto, o que foi conseguido com a ajuda das câmaras de videovigilância e através de testemunhos, confirmou esta polícia ao DN, sem avançar o número de adeptos já identificados.

A PSP está a trabalhar com o Ministério Público de Guimarães - onde o processo criminal está a decorrer - e é lá que tem estado a visionar as imagens de videovigilância do jogo e a recolher testemunhos que possibilitem a identificação dos adeptos que entoaram os cânticos racistas.

A mesma polícia está também a colaborar com a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto que irá instaurar um processo não criminal ao incidente.

Alguns órgãos de comunicação social avançaram que já tinham sido identificados "quatro adeptos", um número que a PSP não confirma, descrevendo-o como "especulativo".

Na segunda-feira, a PSP avançou que comportamentos racistas e xenófobos configuram "um crime previsto e punido no Código Penal", com uma pena de prisão de 6 meses a 5 anos, ou com uma coima entre 1.000 e 10.000 euros.

No domingo, Marega decidiu abandonar o jogo por vontade própria, depois de ter sido alvo de insultos racistas. O maliano cansou-se dos insultos vindas das bancadas - até uma cadeira choveu na sua direção - e escolheu abandonar o jogo.

Os colegas de equipa, bem como os jogadores adversários e Sérgio Conceição tentaram-no demover da ideia, mas Marega estava de cabeça perdida e decidido a abandonar o relvado. Tudo isto perante a passividade do árbitro, que foi depois chamado a atenção por alguns jogadores a dizer que devia ter interrompido o jogo como mandam as regras em caso de insultos racistas.

O treinador do FC Porto teve assim de gastar uma substituição e fazer entrar Manafá aos 71 minutos, para o lugar do avançado, que minutos antes tinha marcado o 2-1, que acabou por dar a vitória ao FC Porto.

No final do jogo, Sérgio Conceição foi a voz da revolta portista:"O que tenho a dizer, perdoem-me de eu não falar do jogo, da dinâmica, das substituições... O jogo passa para segundo plano. Estamos completamente indignados com aquilo que se passou. Sei da paixão que existe aqui no Vitória pelo clube e que a maior parte dos adeptos não se revê na atitude de algumas pessoas que estavam hoje na bancada a insultar desde o aquecimento o Moussa [Marega]. Nós somos uma família independentemente da nacionalidade, da cor da pele, da altura, da cor do cabelo. Nós somos uma família. Somos humanos. Merecemos respeito. O que se passou aqui é lamentável. Lamentável."

"Macaco", "preto", "chimpanzé"

Segundo fonte do FC Porto, os insultos de que o maliano foi alvo no D. Afonso Henriques variaram desde "macaco" e "preto" a "chimpanzé".

Algo que o presidente do Vit.Guimarães presente no estádio não se apercebeu. "Não me apercebi de insultos racistas, apercebi-me de atitude provocatória de um atleta para a bancada. Vamos apurar se houve esses comportamentos. Se houve vamos atuar. O caso não é inédito. O atleta já foi jogador do Vitória e também já quis abandonar uma partida e não teve nada a ver com questões de racismo. Tem a ver com o seu perfil", disse Miguel Pinto Lisboa, prometendo "tomar medidas" se algum dos adeptos vimaranenses estiver envolvido.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG