Quando Zakaria Labyad desembarcou no Corinthians no início deste ano, a recepção de adeptos esteve longe de ser calorosa e o impacto na imprensa foi escasso. Sem atuar num grande centro do futebol europeu há já algumas temporadas e vindo de uma passagem discreta pela China, o médio ofensivo marroquino de 33 anos foi visto por parte da imprensa e dos adeptos como mais um “parça” do neerlandês Memphis Depay a chegar ao clube paulista, sem grandes credenciais para fazer a diferença dentro de campo.Principal estrela do Corinthians desde 2024, Memphis Depay foi ganhando influência nos bastidores do clube e participou ativamente na chegada de alguns nomes próximos, entre eles Labyad e o inglês Jesse Lingard. No Brasil, rapidamente surgiu a crítica de que o neerlandês estaria montando uma equipa sem pensar necessariamente no rendimento futebolístico dos amigos. Meses depois, porém, a história começa a ganhar outros contornos.Nas últimas três partidas, Labyad marcou os seus primeiros dois golos pelo Corinthians e passou, pela primeira vez desde que chegou ao Brasil, a receber elogios mais consistentes. Primeiro, contribuiu para o empate frente ao Peñarol, na Taça dos Libertadores, precisamente na sua primeira partida como titular. Dias depois, saiu do banco para decidir a vitória sobre o Atlético Mineiro, no Brasileirão, com um golaço em vólei, de pé esquerdo, já perto do fim da partida, levando a Neo Química Arena ao delírio. .Nem tudo, claro, são flores. Tanto Labyad como Lingard pouco conseguiram fazer na derrota por 2-0 com o Platense, na última jornada da fase de grupos da Libertadores, disputada na quarta-feira, 27 de maio. Ainda assim, o Corinthians entrou em campo já classificado e com a liderança do grupo garantida, cenário que ajudou a aliviar o peso do resultado. Naquela partida, aliás, estavam diversas personagens familiares do futebol português com camisola do Corinthians, como o guarda-redes Hugo Souza (ex-Desp. Chaves), Andre Carrillo (passou por Sporting e Benfica) e Kaio César, que teve passagem de sucesso pelo Vitória de Guimarães.A boa fase recente de Labyad também coincide com a chegada de Fernando Diniz ao comando técnico. Antes disso, sob o comando de Dorival Júnior, o marroquino mal tinha espaço e o próprio treinador admitiu publicamente conhecer pouco do jogador, cuja contratação havia sido fortemente incentivada por Memphis. Com Diniz, porém, o cenário mudou. O treinador brasileiro, conhecido por apostar em jogadores técnicos e dar liberdade criativa aos médios ofensivos, passou a utilizar Labyad com mais frequência e viu a resposta quase imediata dentro do campo.O ressurgimento no Corinthians surge mais de uma década depois de o marroquino ter chegado ao Sporting como uma das grandes promessas do futebol neerlandês. Revelado pelo PSV Eindhoven, onde despontou ainda adolescente, Labyad assinou com os leões em 2012 cercado de grandes expectativas. Médio criativo e tecnicamente refinado, chegou a Alvalade com contrato de cinco anos e uma cláusula de rescisão milionária, mas nunca conseguiu justificar o investimento. No total, participou de apenas 27 partidas pelos leões em quatro anos de ligação.Entre empréstimos, problemas salariais, conflitos com a direção e uma passagem apagada pela equipa B, acabou por sair sem deixar saudades no clube lisboeta. Ainda rodou em clubes como o Vitesse, Fulham, Utrecht e Ajax - onde reencontrou algum bom futebol -, antes de desaparecer gradualmente do radar europeu e seguir para o futebol chinês.Agora, aos 32 anos, Labyad tenta escrever um capítulo improvável no futebol brasileiro ao lado de alguém que conhece praticamente desde a adolescência. Ele e Memphis Depay cruzaram-se ainda na formação do PSV, no início da década de 2010, quando ambos eram vistos como grandes promessas do futebol neerlandês. Quase duas décadas depois, reencontraram-se no Corinthians, já longe do auge europeu, mas ainda à procura de protagonismo num dos ambientes mais caóticos e exigentes do futebol sul-americano. Na partida contra o Peñarol, aliás, Labyad (chamado no Brasil apenas de Zaka), tornou-se no primeiro marroquino da história a marcar um golo na Taça Libertadores: na comemoração, fez o gesto característico de Memphis com os dedos nos ouvidos e, após o jogo, pediu a permanência do amigo que o levou até ao Brasil, afinal o contrato do neerlandês com o Timão termina em julho. "Para o clube dar o próximo passo, acho que é muito importante que ele fique. Nós vemos o que ele fez nos últimos dois anos pelo clube, pelos jogadores, ganhando três troféus, ajudando-os a não serem rebaixados no fim da temporada. Eu acho que fez um grande trabalho. Para nós, jogadores, amaríamos se ele ficasse", declarou o marroquino nascido nos Países Baixos, que aos poucos "cai nas graças" dos adeptos corinthianos.nuno.tibirica@dn.pt.Longe dos holofotes, “Rei das Assistências” Josué lidera Coritiba, uma das equipas surpresa do Brasileirão.Lobby por Neymar no Mundial foi de deputado a atleta cortado e transformou a convocatória num 'grande circo'