Violência no desporto recua, pirotecnia persiste e futebol concentra quase tudo

Violência no desporto recua, pirotecnia persiste e futebol concentra quase tudo

RAViD 2024/2025 aponta quebra significativa de incidentes e reforço das interdições, mas fenómenos estruturais mantêm-se no futebol profissional e nos grupos organizados
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A violência associada ao desporto em Portugal abrandou na época 2024/2025, depois de vários anos de subida. O novo Relatório de Análise da Violência Associada ao Desporto (RAViD), elaborado pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) e pela PSP, descreve uma temporada menos tensa, mas nem por isso mais simples 

Foram registados 7140 incidentes, o que representa uma descida importante face ao período anterior e confirma o segundo ano consecutivo de redução de agressões, injúrias e episódios de racismo e xenofobia. O futebol absorveu quase todo o fenómeno, com 6686 ocorrências, enquanto o futsal (340) e as restantes modalidades (114) ficaram em plano secundário 

A pirotecnia continua a ser o retrato mais visível do problema. Representou 59,1% dos incidentes, mesmo após uma quebra de cerca de 22,7% face à época passada. Em competições como a 1.ª Liga e os jogos europeus, o peso ultrapassou os 70%, alimentado por subculturas ultra para quem a coreografia visual faz parte do ritual competitivo 

O relatório admite que é um fenómeno comum no espaço europeu, mas lembra que é também ele o alvo preferencial da repressão administrativa e das estratégias de dissuasão.

A quebra do número de incidentes não significa menor intervenção. Pelo contrário: entraram em vigor 523 interdições de acesso a recintos desportivos, das quais 88,3% impostas pela APCVD. Houve ainda 26 adeptos detidos ou identificados por violarem a medida, mais nove do que na época anterior 

No campo contraordenacional, a APCVD proferiu 692 decisões condenatórias definitivas, com esmagadora maioria sobre pessoas singulares — e esmagadora maioria de homens 

A pirotecnia surge, mais uma vez, como raiz da maior parte das sanções: 72,9% das interdições resultaram da sua utilização.

O relatório traça também uma imagem nítida do adepto interdito: 97,4% são homens, sobretudo dos distritos de Lisboa, Porto e Braga. A faixa etária mais presente situa-se entre os 16 e os 25 anos e 61,9% pertencem a grupos organizados de adeptos. Sporting, Benfica e FC Porto concentram a maioria das medidas aplicadas 

Nas mensagens que abrem o relatório, APCVD e PSP convergem na leitura otimista. O presidente da APCVD fala num “indicador encorajador”; o diretor nacional da PSP sublinha a “prioridade estratégica” de manter os recintos como espaços seguros e inclusivos 

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