Iúri Leitão no momento de sagração no Campeonato da Europa.
Iúri Leitão no momento de sagração no Campeonato da Europa.Comité Olímpico de Portugal

Versatilidade impera para atacar Mundiais de Pista e início da qualificação olímpica

Sem Rui Oliveira, parceiro de Iúri Leitão no ouro olímpico no Madison, Gabriel Mendes destaca a “transversalidade” para somar bons resultados na China. Selecionador não coloca pressão em medalhas
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Portugal tinha até 2019 uma única medalha em Mundiais de ciclismo de pista, fazia um caminho de afirmação, também graças ao Velódromo de Sangalhos erguido em 2009, mas chega agora ao palco maior da modalidade com um estatuto necessariamente de candidato a pódio face às seis medalhas que acumulou em seis anos. Gabriel Mendes, selecionador e mentor da mais forte geração de ciclistas, tenta deixar o estatuto de lado. “A nossa pressão é desempenharmos sempre o melhor de nós porque as competições de pelotão, na pista, têm muita complexidade. O Mundial é a prova mais importante a cada ano e esta conta para o ranking olímpico, logo vai aumentar ainda mais a competitividade”, analisou ao DN antes de partir para Xangai, na China, no final da semana passada.

O selecionador estabelece que “a meta é estar nos Jogos Olímpicos” e atribui “grande importância aos Mundiais, não só pelas medalhas, mas pelos pontos que dá” no ranking para chegar a Los Angeles 2028, embora diga que “todas as provas de qualificação têm importância”.

Vincando que “é sempre um pouco uma incógnita” prever a condição dos atletas portugueses e adversários, guarda para os treinos na China a atribuição das provas aos atletas: “Não vou adiantar o plano, viajamos para a China, fazemos os treinos oficiais e só depois fechamos o alinhamento competitivo”.

Rui Oliveira, parceiro de Iúri Leitão no histórico ouro no Madison, em Paris 2024, está a competir pela UAE Emirates e não foi autorizado a viajar. “Após os treinos oficiais, decidirei quem faz dupla, mas os quatro são opção. Não está o Rui, mas estão quatro atletas, excelentes atletas, que pertencem à equipa de elite”, destacou, desvalorizando a ausência do gaiense de 30 anos.

E os resultados dão razão ao selecionador. Os irmãos Ivo e Rui ganharam o bronze nos Europeus de 2025, e em 2026 Diogo Narciso, corredor da Credibom/LA/MarcosCar, partilhou o velódromo nos lançamentos do Madison com Iúri Leitão para a prata. “O Madison tem características mais particulares, tem uma exigência diferenciada, enquanto as outras variam na duração e dinâmica, mas com similaridades. Para mim, o importante é que trabalhamos desde jovens a transversalidade. Tanto podem fazer o omnium [corrida que agrupa quatro disciplinas específicas: scratch, tempo, eliminação e pontos] como uma corrida por pontos. E a própria corrida por pontos aproxima-os do Madison. Estão preparados”, explana ao Diário de Notícias.

Iúri Leitão é o mais laureado e tem exibido a polivalência que o selecionador preconiza. Em Mundiais, foi prata em 2021 na corrida de eliminação - prova em que os atletas vão lutando por posição, tentando nunca estar no último lugar a cada volta de eliminação -, no Chile, em 2025, foi bronze no scratch - prova de 15 km em que os atletas correm em pelotão e tentam dar voltas de avanço aos rivais ou vencer em grupo compacto ao sprint - e já em 2026 sagrou-se campeão da Europa em omnium, uma espécie de decatlo no atletismo, conjugando mais pontos do que os adversários em quatro provas. Foi, nessa categoria, prata nos Jogos Olímpicos. “Iúri não teve uma época abaixo do esperado, teve vitórias na estrada este ano e teve uma lesão que o condicionou”, disse, despreocupado, o selecionador sobre o vianense, que corre e renovou pela CajaRural, equipa da 2.ª divisão do ciclismo mundial. Miguel Salgueiro, do Tavira/Crédito Agrícola, fecha a equipa que terá prova de scratch na quinta-feira, a corrida por pontos na sexta-feira, o omnium no sábado e a eliminação e o Madison no domingo, na despedida da competição.

Por fim, o Mundial marca o regresso da vertente feminina portuguesa à elite, após ter ficado sem possibilidade de apuramento em 2025. Maria Martins, em 2020 e 2022, somou medalhas de prata e é especialista na eliminação e no omnium, prova na qual foi sétima e 14.º, respetivamente, em Tóquio 2020 e Paris 2024. “Foi um trabalho exigente para recuperar vagas que não tivemos em 2025. Houve um ótimo trabalho da Daniela Campos [que está convocada também], até quando a ‘Tata’ Martins não pôde participar. Seria mais difícil estar nos Jogos de 2028 sem Xangai”, realça Gabriel Mendes, o qual reconhece que houve “primazia à estrada em 2025” depois de terminado o ciclo olímpico e que no feminino se sentem mais as limitações porque “há maior amplitude de escolha no masculino.”

Na terça-feira, as mulheres arrancam o scratch, depois há prova de eliminação na quinta-feira, omnium na sexta-feira e a corrida por pontos decorre no domingo.

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