Van Hooijdonk: "Nesta altura o Ajax é demasiado forte para o Benfica"

Antigo avançado confessa-se "impressionado" com o adversário das águias e revela algum pessimismo. Equipa de Erik ten Hag já marcou esta época 108 golos em 33 jogos.

Pierre van Hooijdonk está pessimista em relação às possibilidades de o Benfica eliminar o Ajax (20% apenas). Por muito respeito que tenha pelo clube onde jogou em 2000-01 (e marcou 23 golos), o antigo avançado neerlandês sabe que as águias estão em crise e que o adversário dos oitavos de final da Liga dos Campeões "é uma máquina bem oleada, que tritura quem se mete no caminho". Só esta época já marcou 108 golos em 33 jogos.

E se o treinador Erik ten Hag disse há dias que não há favoritos nesta eliminatória da Champions, para o ex-Benfica "não é preciso ser tão diplomático" na abordagem. "Para respeitar o adversário não é preciso ter um discurso tão humilde. O Ajax tem qualidades suficientes para vencer o Benfica. O Ajax é simplesmente bom. Eu diria que não é um jogo de 50/50, mas de 80/20 para o Ajax, mesmo sabendo que neste nível de Champions tudo pode acontecer", disse ao DN.

E se Nélson Veríssimo quiser sobreviver a Amesterdão terá de conseguir um bom resultado amanhã no Estádio da Luz (20.00, Eleven Sports). "Os golos fora deixaram de contar para o desempate e por isso as equipas estão mais preocupadas em marcar golos do que em não consentir e isso favorece a lógica ofensiva do Ajax. Olhando para o momento atual do Benfica adivinho grandes dificuldades. Nesta altura o Ajax é demasiado forte para este Benfica", atirou Van Hooijdonk, agora com 52 anos.

O antigo jogador confessa-se "deliciado" e até "impressionado" com o jogo da equipa de Ten Hag. Não só como avançado que foi, mas porque "dá gosto ver uma equipa que joga com três ou quatro números nove". Ou seja, "uma linha avançada onde qualquer um dos jogadores pode assumir a função de marcador, apoiados por um duplo pivô e um jogador à frente dos dois médios, que criam muitas oportunidades de golo".

Por isso, "a grande virtude do Ajax é o coletivo", onde o jogo ofensivo se destaca, "não só pelos golos, mas pelo jogo simples, bonito e inteligente". Tudo segundo a filosofia do técnico que orienta a equipa desde 2017 e que o ex-jogador elogia: "Há que ter a bola e dominar o jogo, e quando não tens bola, tens de a recuperar rapidamente sem deixar de desfrutar com o jogo. Essa é a identidade do Ajax. Os jogadores cultivam essa arrogância do "somos o Ajax e este é o nosso estilo.""

Sébastien Haller (27 anos e 28 golos esta época) tornou-se no primeiro futebolista a marcar dez golos (cinco ao Sporting na fase de grupos) nos seus primeiros seis jogos na Champions e apenas no segundo - depois de Cristiano Ronaldo - ao marcar em todos os encontros. Será ele o jogador a temer? "Haller é muito bom e tem-se destacado, mas quem vê os jogos percebe que se não for ele a marcar é outro. Tenho alguma inveja dele por ter tantos bons jogadores a criar para ele. Ele e o Tadic dão experiência ao ataque, onde Antony (21 anos e 11 golos esta época) espalha magia e irreverência", respondeu o neerlandês, sem esquecer o talento de Brian Brobbey (20 anos) e Sontje Hansen (19 anos), dois dos nove avançados com menos de 22 anos no plantel.

"Nunca direi "obrigado" as vezes suficientes aos adeptos do Benfica"

Para Van Hooijdonk, "não há segredos" que expliquem o sucesso. Para ele tudo assenta num "trabalho silencioso e muito competente", que durou anos a aprimorar. A pressão de não ganhar o campeonato holandês há anos (de 2014 a 2019) obrigou o colosso europeu (quatro Champions, 1971, 1972, 1973 e 1995) a restruturar-se desportiva e financeiramente. Liderados por Edwin Van der Sar (antigo guarda-redes do Manchester United) e Overmars (despedido há dias por assédio sexual), o clube investiu 26 milhões de euros no centro de treinos, no recrutamento de jovens promessas e na aquisição de dois ou três veteranos, casos de Tadic ou Daley Blind em 2020, que juntos custaram 28 milhões. Uma valor muito questionável na altura.

Segundo o antigo internacional, os holandeses sempre apostaram na formação, mas o clube de Amesterdão começou a fazê-lo com um duplo sentido: alimentar a equipa principal e os cofres, com o dinheiro da Champions e a venda de jogadores. Mazraoui, De Ligt, Veltman, Van de Beek e De Jong são alguns dos bons exemplos da formação. O último mudou-se para o Barcelona por 75 milhões de euros.

Van Hooijdonk jogou apenas um ano de águia ao peito, mas deixou saudades. "Nunca direi "obrigado" as vezes suficientes aos adeptos do Benfica. Sempre me acarinharam. Ainda hoje muitos se recordam da minha passagem pelo Benfica. Foi uma honra jogar lá e uma pena ter ido numa fase tão complicada. Eu merecia ter tido um Benfica mais forte para dar ainda mais à equipa e ao clube", lembrou o ex-jogador, que aos 31 anos fez 23 golos pelo Benfica, na época 2000-01, uma das piores da história do Benfica (terminou o campeonato em 6.º).

A situação atual também não é risonha e o antigo avançado não inveja a posição de Rui Costa: "Ter ex-jogadores a liderar é importante, mas mais ainda é ter competência, conhecimento dos dossiês e o respeito. Tomar decisões para uma instituição como o Benfica exige muito mais do que jogar ou marcar golos."

isaura.almeida@dn.pt

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