Uruguai luta para recuperar a tradição vencedora no futebol mundial

Uruguai luta para recuperar a tradição vencedora no futebol mundial

A seleção uruguaia quer voltar a surpreender e confirmar a histórica competitividade do futebol sul-americano.
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Com duas conquistas mundiais no currículo e uma reputação construída ao longo de décadas de competitividade, o Uruguai apresenta-se no Campeonato do Mundo de 2026 como uma das seleções historicamente mais respeitadas do futebol internacional. A equipa orientada por Marcelo Bielsa chega ao torneio apoiada numa geração que atua nos principais campeonatos europeus e num modelo de jogo mais intenso e dinâmico, desenvolvido ao longo dos últimos anos. Apesar de não integrar o lote principal de favoritos ao título, “La Celeste” continua a ser vista como uma seleção particularmente difícil de enfrentar em fases finais internacionais, graças à consistência competitiva e à forte identidade coletiva que caracteriza historicamente o futebol uruguaio.

No Mundial de 2026, o Uruguai integra o Grupo H, onde terá pela frente Espanha, Cabo Verde e Arábia Saudita. O sorteio colocou os sul-americanos perante um grupo competitivo e de características distintas, com a Espanha a surgir como principal candidata ao primeiro lugar. Ainda assim, os uruguaios entram na competição como fortes candidatos ao apuramento para os oitavos-de-final, beneficiando da experiência internacional do plantel e da estabilidade competitiva construída nos últimos anos. O calendário da fase de grupos poderá assumir importância decisiva, sobretudo no encontro frente à seleção espanhola, apontado como potencialmente determinante para a definição da liderança do grupo. 

O peso histórico do Uruguai no futebol mundial continua a distinguir a seleção no contexto internacional. O país conquistou os Campeonatos do Mundo de 1930 e 1950, tornando-se o primeiro vencedor da história da competição e protagonista de um dos episódios mais emblemáticos dos Mundiais, ao derrotar o Brasil no Estádio do Maracanã, no encontro eternizado como “Maracanazo”. Para além dos títulos mundiais, o Uruguai soma uma longa tradição de sucesso na Copa América, onde mantém uma rivalidade histórica com Argentina e Brasil. 

A atual geração uruguaia combina jogadores experientes com atletas que se afirmaram nas principais ligas europeias. Federico Valverde assume-se como uma das figuras centrais da equipa, oferecendo intensidade, capacidade de transporte de bola e liderança no meio-campo. Darwin Núñez mantém-se como uma das principais referências ofensivas da seleção, enquanto Ronald Araújo, Manuel Ugarte e Nicolás de la Cruz acrescentam equilíbrio competitivo e soluções em diferentes setores do terreno. 

A preparação uruguaia para o Mundial ficou igualmente marcada pelo contexto em torno de Marcelo Bielsa. O selecionador argentino confirmou recentemente que a sua ligação à seleção deverá terminar após o Campeonato do Mundo, conferindo um significado adicional à campanha no torneio. Desde que assumiu funções, em 2023, Bielsa liderou uma transformação gradual da equipa, apostando numa abordagem mais ofensiva e intensa, enquanto integrou novos elementos sem abdicar da tradicional competitividade uruguaia. A campanha de qualificação para o Mundial e o terceiro lugar alcançado na Copa América de 2024 ajudaram a consolidar a ideia de crescimento competitivo, apesar de alguns momentos de irregularidade nos meses mais recentes. 

Em termos táticos, o atual Uruguai apresenta uma identidade distinta de ciclos anteriores. A equipa mantém a agressividade competitiva historicamente associada ao futebol uruguaio, mas procura hoje assumir maior protagonismo ofensivo, apostando numa pressão alta, maior intensidade na recuperação da bola e transições rápidas para o ataque. O meio-campo ganhou maior capacidade de circulação e construção, permitindo à seleção adaptar-se melhor a adversários de diferentes características sem perder solidez competitiva. 

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